Inverno leve e estampas cariocas marcam 3º dia do Fashion Rio

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Publicado sexta-feira, 14 de janeiro de 2005 as 17:20, por: cdb

Depois das peles e dos couros apresentados no segundo dia do Fashion Rio, apontando para um inverno mais rigoroso, a temperatura subiu nesta quinta-feira nas passarelas do Museu de Arte Moderna, com muitas grifes apostando em transparências, saias mais curtas e estampas com a cara do Rio de Janeiro.

O dia começou com uma das novas designers do Fashion Rio, Maria Fernanda Lucena, apresentando delicadas blusas e batas de organza de seda pura, algumas com bordados de círculos pretos, citando a arte decorativa de Gustav Klimt.

Um ar renascentista impregnou vestidos transparentes – usados com um maiô preto por baixo -, que ganharam volume nos ombros. As cores vieram envelhecidas, em azul e rosa, assim como outros desfiles do dia.

O destaque da Tessuti, que quis mesclar o morro com o asfalto, foram as estampas assinadas por um grafiteiro da favela do Complexo da Maré.

Os desenhos em cinza apareceram em uma camiseta branca folgada, combinada com uma saia de várias camadas de tule, e um vestido comprido azul de malha, por baixo de uma regata também de tule bordada com paetês dourados. Na trilha sonora, Fernanda Abreu e Tati Quebra-Barraco (sentada na primeira fila).

A atmosfera carioca também foi tema para a estilista Andrea Saletto, da Permanente. Ela chamou Carla Caffé, diretora de arte de filmes como “Central do Brasil”, para desenhar uma padronagem de fundo vermelho e flores brancas – bastante comuns nas ruas do Rio de Janeiro.
Esses desenhos surgiram tanto em trench-coats fechados e outros casacos abertos levinhos como em vestidos decorados com brilhos e jaquetinhas estruturadas.

Outra estampa exclusiva trazia pontos turísticos cariocas com a frase que deu nome à coleção, “Rio Jardim Urbano, grafite da natureza”. Os desenhos foram vistos em blusas vaporosas e vestidos de sedas.

Mais padronagem e um desfile 

Quem abusou de verdade das padronagens foi a Coven, da estilista Liliane Rebehy. Xadrez, listras e florais foram usados todos juntos, em tecidos despigmentados como o jacar, bem molinho. A grife optou por tons mais escuros de vinho, amarelo, azul e verde.

Saias plissadas com brilho de lurex ganharam bolsos extras do lado de fora, algumas com sobreposições exageradas, com camisetas compridas amarradas na cintura.

A transparência voltou com Maria Bonita Extra, assinada por Andrea Marques, em blusinhas usadas por baixo de um macacão de casimira ou combinadas com um shorts. A marca trouxe também vestidos de georgete soltinhos e saias com camadas coloridas.

Para encerrar o dia, Guilherme Mata, da M vs. M, deixou as roupas de outono-inverno para resolver depois do Fashion Rio e apresentou um desfile-performance, com oito bailarinos fantasiados, que dançaram ao som de um órgão e de um vocalista que cantava em alemão.
Segundo Mata, a idéia era dar “uma descontraída e divertir mesmo a platéia”, levando um clima de “cabaré berlinense”, tema que deverá inspirar sua próxima coleção de fato.

Cada bailarino encarnou um personagem, como a dominatrix, o punk e o rapper. Na frente do pit dos fotógrafos, houve um beijo na boca entre dois homens e uma cusparada do punk.

Nesta sexta-feira, quarto e penúltimo dia do Fashion Rio, as expectativas se voltam para o último desfile, da Colcci, que contará com a presença da top Gisele Bundchen. Antes disso, se apresentam Melk Z-Da e Artemísia, no espaço dedicado a novos designers, Graça Ottoni, Cavendish, Zigfreda e Drosófila.