Intercâmbio cultural no encontro de artesãos em Macaé

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Publicado terça-feira, 27 de março de 2012 as 12:45, por: cdb

Foto: Divulgação

Os detalhes da feira foram divulgadas em encontro com a imprensa

Todo processo organizacional da Feira Internacional de Artesanato (Interart/Macaé), foi divulgado durante uma entrevista coletiva para a imprensa, realizada na manhã desta terça-feira (27), na secretaria de Governo.

Na oportunidade, estiveram presentes o organizador e diretor da Feira, Oswaldo Almeida Júnior; o secretário de Indústria e Comércio de Macaé, Edmilson Gonçalves dos Santos; e o secretário de Desenvolvimento Econômico, Cliton Santos.

Macaé vai se transformar na Capital Nacional do Artesanato e da Cultura, no período de 10 dias. A Interart 2012 começa neste final de semana, entre os dias 31 de março e 08 de abril, no Centro de Convenções Jornalista Roberto Marinho – Macaé Centro. No dia 30, sexta-feira, haverá abertura oficial com a presença de autoridades federal, estadual e municipal.

O evento já é um sucesso em Araçatuba, interior de São Paulo. Os organizadores do evento estão preparando os detalhe deste o ano passado. Desde a última sexta-feira (23), os estandes já começaram a ser montados.

Ao todo, representantes de 22 países e 15 estados brasileiros já confirmaram presença. Trezentos expositores e 150 estandes farão parte do cenário do evento, que irá movimentar o setor hoteleiro, já que estão sendo esperados 60 mil visitantes no período.

– Macaé cresce muito. A Feira é uma grande ferramenta para o Desenvolvimento Econômico, pois ela trabalha a cultura e faz girar o capital. Macaé tem o perfil do Turismo de Negócio, e as Feiras que vem para a cidade fomentam ainda mais a rede hoteleira e a gastronômica”, disse Cliton Santos.

Novidade – Os visitantes da Interart/Macaé serão recepcionados por integrantes da mesma tribo que encontrou com Pedro Álvares Cabral, na chegada dele ao Brasil, há mais de 500 anos. Dois deles já estão na cidade; Jupará Pataxó, 38 anos e Xoha Pataxó, 28 anos. Ambos são oriundos da Aldeia Coroa Vermelha, de Santa Cruz de Cabrália, localizada no Sul da Bahia.

De acordo Oswaldo Júnior, o intuito é disseminar a cultura indígena. “Todos serão recepcionados pela cultura de raiz. A Tribo Pataxós é estimulada pelo fluxo turístico, principalmente de Porto Seguro (na Bahia), onde se desenvolvem atividades artesanais”, disse Oswaldo.

Jupará conta que a tribo pataxó ganhou uma trágica notoriedade após o assassinato do índio Galdino Jesus dos Santos, em 1997, que era líder do povo Pataxós. Ele dormia em uma parada de ônibus em Brasília quando delinquentes de classe média atearam fogo ao seu corpo, alegando que o confundiram com um mendigo.

– Sempre fomos muito massacrados. O homem branco já escravizou muitos índios. Depois da morte do nosso líder, nós começamos a lutar pelo nosso direito. Somos muito unidos e trabalhamos pelo sustento um dos outros” – explicou o índio, informando que a aldeia concentra mais de seis mil e oitocentos índios.

Durante a Interart, os índios estarão localizados na entrada da feira, com trajes a caráter. Eles não farão a exposição dos produtos em estandes, como de costume. Os Pataxós estarão expondo os artesanatos indígenas em ocas. “Nós trouxemos arco e flecha; colar de sementes, plumária, esculturas em madeira, cestaria, armas e tecelagem. Estaremos vendendo nossos produtos para levar caiambá (dinheiro) para o sustento de nossos kituki (crianças)”, disse Jupará.

O presidente do Macaé Convention Visitors Bureau – Macaé CVB, Marco Navega, aposta no evento. “Vão participar representantes de vários países, de cinco continentes, e de diversos estados brasileiros. A expectativa é de que a Feira atraia mais de cinquenta mil visitantes nesta edição. Deveremos ser vistos por mais de 4 milhões de espectadores no Brasil e no Mundo”, garantiu Navega.

Para a artesã Carla Zulo Araújo, proprietária do Atelier Feito a Mão este tipo de evento é importante para Macaé. “Sediar um evento como este é trazer para toda a região o grande potencial econômico que hoje é o artesanato. A grande maioria das feiras visa a divulgação e vendas no atacado de lançamentos dos fabricantes nacionais, através de cursos e demonstrações”, observou Carla, que trabalha há 18 anos no ramo.

Amanhã, quarta-feira (28), a partir das 10h, os organizadores do evento, junto com os índios, farão uma caminhada pelo Calçadão da Rui Barbosa, convidado a população para visitar a Interart. A entrada da feira vai custar R$ 5.