Intelectuais defendem democratização dos organismo mundiais

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Publicado quinta-feira, 27 de janeiro de 2005 as 22:04, por: cdb

 Intelectuais de vários países se juntaram nesta quinta-feira para defender no Fórum Social Mundial mudanças urgentes nos organismos mundiais como forma de garantir uma maior representatividade internacional.

Debatedores como os Prêmio Nobel José Saramago e Adolfo Perez Esquivel e o assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, ressaltaram que a democracia alcançada na esfera nacional não chega ao cenário internacional.

– Temos democracia em escala nacional, e em escala supranacional temos uma plutocracia e agora um poder hegemônico – disse Federico Mayor, ex-diretor da Unesco e atual presidente da Fundação de Cultura e Paz, referindo-se ao domínio do poder econômico nas relações internacionais assim como ao papel preponderante dos Estados Unidos.

– Da mesma forma que queremos nossos países como Estados de direito, respeitosos da liberdade dos direitos humanos, queremos um mundo que seja subordinado ao império do direito e não ao direito do império – reforçou Garcia para uma platéia de brasileiros e estrangeiros que se aglomeraram em uma das tendas do Fórum.

Um dos tópicos recorrentes nas discussão desse tema, a reforma da Organização das Nações Unidas (ONU) foi defendida por Esquivel. “Queremos (…) reformá-la e democratizá-la em suas estruturas.”

Saramago, por sua vez, chegou a questionar a eficácia da abertura das organizações mundiais como forma de garantir o direito dos cidadãos. Para ele, o problema é que o sistema político democrático é dirigido por um sistema não democrático constituído por instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Banco Mundial, entre outros.

– O poder do cidadão tem limite. Só chegamos até o teto de votar, constituir um governo, mas há uma outra esfera acima (dos governos nacionais) sobre a qual não temos nenhuma influência – disse o escritor português – O cidadão deixou de existir. Somos agora consumidores ou desempregados.