Inspetores da ONU deverão continuar no Iraque por mais um ano

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Publicado segunda-feira, 13 de janeiro de 2003 as 21:01, por: cdb

Com os Estados Unidos continuando sua concentração de tropas na região do Golfo Pérsico, em preparação para um possível conflito militar com o Iraque, um porta-voz da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) disse, nesta segunda-feira, que o processo de inspeções de armas naquele país poderia levar até um ano.

“A espera valeria a pena”, declarou à CNN o porta-voz, Mark Gwozdecky, reiterando comentários feitos pelo chefe dos inspetores da ONU, Hans Blix, e pelo diretor-geral da Aiea, Mohamed ElBaredei, no primeiro semestre de 2002, quando deixaram claro que as inspeções poderiam levar perto de 12 meses. Gwozdecky disse que seria “uma melhor opção aguardar um pouco mais do que recorrer à guerra”.

“Doutor Blix e doutor ElBaradei deixaram muito claro no início de 2002 que essa é uma operação que poderia levar cerca de um ano e, francamente, nós achamos que vale a pena esperar para alcançar uma solução sustentável, de longo prazo e pacífica”, declarou nesta segunda-feira, falando em Viena, a capital da Áustria.

“Nós estamos lá (no Iraque) há apenas sete semanas”, observou Gwozdecky. “Estamos fazendo progresso e tendo acesso aos locais de que precisamos. Francamente, quanto mais tempo permanecermos lá, mais provável será detectar algum possível procedimento ilegal ou impedir os iraquianos de reconstituir qualquer capacidade que eles possam ter”. O Pentágono afirma que 65 mil soldados, marinheiros, aviadores e fuzileiros navais norte-americanos já estão no Golfo Pérsico.

Autoridades declararam à CNN que o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, determinou na noite de sexta-feira passada o envio de um reforço de 62 mil homens. A Grã-Bretanha convocou centenas de reservistas e também despachou uma força-tarefa para a região.

No próximo dia 27 de janeiro, os inspetores apresentarão ao Conselho de Segurança da ONU um relatório sobre suas atividades no Iraque. O Governo do presidente iraquiano Saddam Hussein nega possuir armas de destruição em massa.

Mas Blix disse que, apesar de suas equipes não terem encontrado nada incriminador no Iraque, “muitas questões” relacionadas à informação fornecida por Bagdad sobre seus programas de armas ainda permanecem sem resposta. Blix e ElBaradei viajam à capital iraquiana no próximo fim de semana.

Os inspetores afirmam que o Iraque tem que fornecer provas críveis de que destruiu todo o material que poderia ser usado para a produção de armas de destruição em massa, conforme afirma.