Inquérito vai apurar motivos que levaram Tony Blair a entrar na Guerra

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Publicado terça-feira, 3 de junho de 2003 as 22:35, por: cdb

Parlamentares britânicos decidiram nesta terça-feira abrir um inquérito para apurar os motivos que levaram o primeiro-ministro Tony Blair a atacar o Iraque. O premiê é acusado de enganar o Parlamento e o público com informações falsas sobre o suposto programa de armas químicas e biológicas do ex-ditador Saddam Hussein.

A Comissão de Relações Exteriores do Parlamento disse que vai examinar a decisão do primeiro ministro de ir à guerra, se concentrando principalmente na questão das armas de destruição em massa.

Blair e o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, declararam ao líder iraquiano alegando que o arsenal de Saddam representava uma séria ameaça à segurança mundial.

Mas nenhum armamento químico, biológico ou nuclear foi encontrado, provocando acusações de que os dois líderes forjaram informações de inteligência para justificar a guerra.

Furioso, Blair nega com veemência as acusações e diz que não há necessidade de nenhum inquérito independente. Segundo o porta-voz do premiê, o caso deveria ser investigado pela Comissão Conjunta de Inteligência e Segurança, comitê do Parlamento que responde diretamente ao primeiro-ministro.

Ao contrário do que ocorre na Comissão de Relações Exteriores, os inquéritos da Comissão Conjunta de Inteligência e Segurança são realizados a portas fechadas.

Inquéritos semelhantes estão sendo discutidos em Washington, onde o Senado planeja fazer audiências sobre os motivos da guerra.

A questão das armas de destruição em massa acabou se transformando num pesadelo para Blair, que desafiou a opinião pública ao defender a guerra, mas parecia ter saído ileso do conflito após a rápida queda de Saddam Hussein.

– Ao tentar justificar a guerra, Tony Blair estendeu sua credibilidade até o limite e fez potencialmente um grande mal a sua própria posição e à confiança do público no governo – disse Charles Kennedy, líder do partido oposicionista Democrata Liberal.

Dois ex-ministros de Blair, que renunciaram por causa da guerra contra o Iraque, acusaram o premiê de enganar o público e cometer uma “asneira monumental” ao atacar o Iraque.

Cinquenta parlamentares do partido de Blair, o Trabalhista, bastante dividido em relação à guerra, assinaram moção pedindo que o primeiro-ministro publique todas as provas que tem contra Saddam.

Um deles disse que o caso é “mais sério que Watergate”, referindo-se ao escândalo que derrubou o presidente norte-americano Richard Nixon.

O ceticismo em relação aos motivos de Blair para a guerra cresceu depois que a BBC mostrou uma reportagem sobre o caso.

Na reportagem, fontes dos serviços de inteligência do país disseram que o gabinete de Blair transformou os relatórios sobre o Iraque “mais sensuais” do que eram, acrescentando que as armas podiam ser ativadas 45 minutos após as ordens de Saddam.