Ingrid Betancourt está bem de saúde, afirma a Farc

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 13 de março de 2003 as 16:50, por: cdb

A ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt, seqüestrada há mais de um ano pela guerrilha das Farc, está bem de saúde mas mal psicologicamente, informou um líder desse grupo.

O dirigente “Raúl Reyes” disse em uma mensagem que os meios de comunicação locais estão reproduzindo nesta quinta-feira, que Betancourt “não pode estar com seu psicológico totalmente afetado ao conhecer a evidente ausência de vontade política” do Governo na hora de “resolver definitivamente o crescente problema dos prisioneiros de guerra em poder das duas partes”.

Betancourt, líder do partido Verde Oxigênio, foi seqüestrada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no dia 23 de fevereiro do ano passado.

O fato ocorreu três dias depois que o então presidente, Andrés Pastrana (1998-2002), rompeu com as negociações que seu Governo estava mantendo com essa guerrilha em busca da paz.

A ex-senadora de 41 anos, formada em Ciências Políticas em Paris, foi seqüestrada junto com sua companheira de chapa, Clara Rojas, que era candidata a vice-presidência nas eleições de maio de 2002, na qual ganhou o liberal dissidente Álvaro Uribe.

As duas fazem parte do grupo de seqüestrados que as Farc querem trocar por alguns revolucionários presos por meio de um acordo de “intercâmbio humanitário” que não pôde ser concretizado.

As duas candidatas se dirigiam a uma região desmilitarizada desde 1999 para as negociações de paz, quando foram retidas e incluídas pelas Farc na lista de “trocas”, que inclui mais de cinqüenta políticos, funcionários, ex-funcionários, soldados e policiais que estão presos.

“Raúl Reyes”, cujo nome verdadeiro é Luis Edgar Devia, e que foi o principal porta-voz das Farc nas negociações de paz, disse que Betancourt, que também possui nacionalidade francesa, recebeu “o estímulo das gestões adiantadas” por Paris e de sua família para sua libertação.

As Farc enviaram um vídeo em julho de 2002 no qual aparecem Betancourt e Rojas no cativeiro, a única prova de sobrevivência recebida por seus familiares.

O publicitário Juan Carlos Lecompte, marido de Betancourt, disse que o acordo de intercâmbio “não é prioritário para o Governo” e criticou a “velocidade de tartaruga” das gestões.

A libertação da refém foi reclamada pelos partidos “verdes” de todo o mundo, assim como por numerosas entidades da França e pelo presidente desse país, Jacques Chirac.