Informação não é mercadoria: é um bem nacional, um direto do cidadão!

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Publicado quarta-feira, 29 de janeiro de 2003 as 19:59, por: cdb

Esse foi o tom do painel “Estratégias para a democratização da mídia”, organizado pelo jornalistas Daniel Herz, e que – por ironia? -, não mereceu destaque, nem espaço, na mídia, durante a realização do III Fórum Social Mundial. No centro da discussão, o controle da mídia mundialmente nas mãos de grupos reduzidos – temos que ficar atentos à questão da propriedade cruzada, essa rede de associações e sociedades entre as empresas que faz com que a comunicação seja “coisa de uma grande família”.

“O homem tem, por natureza, direito à comunicação”, definiram, por consenso, entidades, ONGs e participantes do debate do sábado, dia 25/1. Essa idéia não é vista com bons olhos por grande parte do empresariado e governantes.

Para se ter uma noção do potencial da teoria, durante o meteórico golpe militar na Venezuela contra Chavez (um dia), a primeira providência dos golpistas foi fechar as Tvs e rádios comunitárias, para impedir que a população soubesse por outras fontes, e interpretações, das notícias que circulavam pela grande imprensa que, em coro, alardeava as maravilhas do golpe, colocando-se na posição de aliada dos opositores do presidente venezuelano.

Hugo Chávez tem como uma de suas prioridades democratizar a comunicação no país, e fez um plebiscito para tal que se transformou em lei. Desse pacote, faz parte o respeito à regionalização da programação (Xô enlatados!), tema sobre o qual o Brasil começa a se debruçar (a proposta da deputada Jandira Feghali/PCdoB/RJ) está em fase final de aprovação no Congresso.

Esse é um dos nós da questão: a construção do discurso do cidadão, já que as “histórias” sobre o dia a dia da Nação e seus personagens são contados pela mídia. Assim como, suas lutas, suas glórias e sua precisão. Os heróis, o passado, e por que não?, o futuro, são contados através do olhar do empresariado de comunicação, que, têm o poder de selecionar o que é de interesse público, ou não. Isso influencia a cultura de um povo e o espelho que reflete a cidadania.

No debate, Herz apontou que é hora de toda a sociedade civil participar desta luta. Do sucesso dela dependem outras como a ambiental, a pacificista etc, já que se as informações relevantes que realmente interessam ao cidadão não forem publicadas – e dessa forma permitam uma reação da sociedade -, permanecerão os interesses corporativos e transnacionais; gritos com pouquíssimos ecos e olhos que não enxergam. O jornalista, representante do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e integrante do CCS conselho de Comunicação Social, alertou, ainda, que não podemos esperar muita coisa de cima para baixo, se o próprio Congresso brasileiro levou 11 anos para colocar em prática um projeto que ele mesmo aprovou, referindo-se ao Conselho de Comunicação Social (CCS), uma trincheira da sociedade para definir certas regras como a concessão de canais de rádio e TV, a galinha de ovos de ouro do cartel político mundial, a que dá o tom do discurso em ondas… mansas, para não despertar a raposa!