Influências do Oriente Médio e Espanha chegam à SPFW

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Publicado segunda-feira, 21 de junho de 2004 as 15:03, por: cdb

A inspiração veio de fora no quinto dia da São Paulo Fashion Week. No domingo, burcas foram reconstruídas pelas mãos de Lorenzo Merlino, enquanto turbantes libaneses se misturaram a trajes baianos no desfile de Fause Haten.

O dia também foi marcado pela estréia na SPFW da grife espanhola Custo Barcelona, que trouxe uma profusão de listras e estampas multicoloridas em uma coleção que visita a moda de cerca de 20 anos atrás.

Criada nos anos 1980, a marca ganhou o mercado norte-americano em meados da década de 1990 com camisetas inspiradas nas praias californianas. Suas criações já apareceram em seriados de TV famosos como “Friends” e “Sex in the City”.

No desfile, elegantes trench coats receberam babados nas barras e vieram por cima de camisetões e vestidos de malha fluidos. Para os homens, calças justas com a barra arrastando no chão, acompanhadas de jaquetas.

As questões políticas internacionais, em especial as guerras no Oriente Médio e a proibição do uso de símbolos religiosos em escolas públicas da França, foram o mote para Lorenzo Merlino. Ele colocou modelos com véus muçulmanos e carregando crucifixos e estrelas de Davi para desfilar no colégio Liceu Pasteur.

As salas de aula serviram de passarela para meninas com nozinhos no cabelo ou com a cabeça coberta por um véu muçulmano feito por um lenço estampado creme, laranja e preto.

A burca ganhou uma releitura, com pedaços de pano preto cobrindo calças, completando vestidos e coletes ou formando peças inteiras. Vestidos com tecido brilhante e pedraria quebraram a seriedade das criações.

Fause Haten também se voltou para o Oriente Médio, misturando sua ascendência libanesa com a paixão pela Bahia. Nesta temporada, o estilista preferiu exibir suas coleções feminina e masculina juntas.

Os homens, assim como na tradição muçulmana, vieram na frente e abriram o desfile exibindo caftans — longos coletes de algodão — usados por cima de calças jeans.

Os colares de cristal trespassados lembravam as contas usadas pelo grupo baiano Filhos de Gandhi, assim como algumas combinações pareciam as roupas usadas pelos pais-de-santo do candomblé.

Já as mulheres, além do turbante e dos colares de contas vermelhas, mostraram saias longas e repletas de babados. As referências árabes surgiram também nos dizeres dourados que estamparam camisetas masculinas e femininas.

A famosa modelo Erin O’Connor emprestou seu ar britânico “cool” para o desfile de Marcelo Sommer, que se baseou em ícones da sorte, como o arco-íris e o baralho, junto com muitas formas geométricas estampadas em camisetas.

Em uma das entradas, O’Connor usou um divertido tomara-que-caia curto godê, com listras diagonais e bolas coloridas nas pontas.

A mulher que Lino Villaventura quer vestir no próximo verão gosta de misturar volumes com cintura marcada e abusar de estampas, tecidos brilhantes e transparências.

Fios de ouro e cobre vieram aplicados em jaquetas curtas, calças e vestidos. O brilho apareceu também nas sandálias masculinas e femininas em tons metálicos. O volume veio nas mangas curtas bufantes e nas saias que mesclavam recortes plissados e balonês em uma única peça.

A estilista Glória Coelho, da grife G, voltou à era medieval e desfilou peças que lembravam armaduras. O lema foram tiras, tachas e recortes, como em um trabalho de construção das peças diretamente no corpo.

O clima tropical, que já percorreu alguns desfiles desta temporada, voltou na coleção da Osklen, com flores e folhas de palmeiras como estampas de vestidos e tops.

Nesta segunda-feira, penúltimo dia de SPFW, apresentam suas novas coleções: Raia de Goeye, Jefferson Kullig, Renato Loureiro, Rosa Chá, VR Menswear, Alexandre Herchcovitch (masculino) e Água Doce.