Inflação sobe 1,04% pelo IGP-M

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Publicado quinta-feira, 18 de setembro de 2003 as 23:01, por: cdb

Os preços agrícolas no atacado pressionaram a inflação medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) na segunda prévia de setembro, levando o índice a subir um pouco mais que o estimado pelo mercado. Mas, para analistas, o resultado não representa uma ameaça ao cenário de inflação sob controle.

O IGP-M subiu 1,04%, contra uma alta de apenas 0,18% no segundo decêndio de agosto, de acordo com os dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgados nesta quinta-feira. Foi o maior resultado para uma segunda prévia desde março, quando o índice atingiu 1,13%.

Salomão Quadros, coordenador dos índices de preços da FGV, disse estimar que o IGP-M feche o mês acima de 1%.

“Era uma subida esperada porque se aguardava a entressafra dos produtos agrícolas, mas a demanda e os investimentos continuam fracos. Portanto, a alta não assusta”, disse ele a repórteres.

Analistas esperavam que o índice fosse fortemente influenciado pela alta dos preços agrícolas, por causa da entressafra de alguns produtos, e pelo reajuste de tarifas.

Os produtos agrícolas subiram 3,89% no atacado, contra uma queda de 0,14%. Houve também pressão dos bovinos, aves e suínos, além da soja e do milho, informou a FGV.

Com isso, o Índice de Preços no Atacado (IPA), que tem peso de 60 por cento na composição do IGP-M, subiu 1,37%, comparado com uma queda de 0,06% na prévia anterior.

“Ele (o IGP-M) vai fechar setembro um pouco mais pressionado, mas não representa perigo de aumento da inflação para os patamares vistos no passado”, disse Caroline Silveira, analista de inflação e atividade do Banco Santander, em São Paulo.

“Não representa nenhum desconforto ou medo de volta da inflação que afete o comportamento da política monetária.”

Na quarta-feira, o Banco Central promoveu um novo corte na taxa básica de juros, reduzindo-a em dois pontos percentuais para 20% ao ano tendo como pano de fundo perspectivas mais favoráveis para a trajetória da inflação. Desde junho, a taxa Selic foi reduzida em 6,5 pontos percentuais.

Entre os demais componentes do índice, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30% do IGP-M, subiu 0,52%, depois de uma alta de 0,02% na segunda prévia de agosto. A alta foi liderada pela habitação, que subiu 0,70%, um pouco abaixo da alta de 0,77% no período anterior.

Os alimentos, que subiram 0,35% após uma queda de 0,59% , e o grupo transportes, que registrou alta de 0,96% comparado com uma queda de 0,77%, também contribuíram para pressionar o IPC.

Já o Índice Nacional do Custo de Construção (INCC), que responde por 10%, subiu 0,17%, uma alta inferior a do período anterior, de 2,27%.

Com o resultado da segunda prévia de setembro, o IGP-M acumula alta de 6,96% no ano e, em 12 meses, de 21,25%.