Inflação medida pelo ICV ficou em 7,7% em 2004

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Publicado quinta-feira, 6 de janeiro de 2005 as 15:34, por: cdb


O Índice de Custo de Vida da Cidade de São Paulo (ICV), calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), apresentou em dezembro uma alta de 0,54%, o que representou queda de 0,29 ponto porcentual em relação a novembro (0,83%). Os destaques do indicador foram os grupos de transporte, com 0,33 ponto porcentual, habitação, 0,08 ponto, e alimentação, com 0,07 ponto que juntos contribuíram com 0,48 ponto porcentual no resultado do índice. No acumulado de 2004, o ICV subiu 7,70%, muito influenciado pelas elevações dos preços dos combustíveis, planos de saúde e tarifas, entre elas luz e telefone.

– Para 2005, a expectativa é de que o índice ficará em 5,5% – comentou a coordenadora do índice, Cornélia Nogueira Porto.

Em dezembro, o maior peso sobre o ICV veio dos transportes, com alta de 2,09%, seguido de equipamentos domésticos, com elevação de 0,47% – destaque para móveis (1,49%) – e despesas pessoais, com alta de 0,43%.

– Houve no mês passado aumentos que chamaram a atenção, como transportes individuais, provocados basicamente pelo reajuste dos combustíveis (4,59%), e alimentação in natura, como carne suína (3,76%), provocados pelas vendas das festas de fim de ano – comentou.

– Os avanços dos preços, contudo, não foram tão fortes quanto o previsto. Esperávamos uma taxa de 0,70% para o mês, mas ela ficou em 0 54%.

De acordo com o ICV, a alta dos combustíveis afetou mais o grupo de famílias de maior renda, chamado de estrato 3 (média de R$ 2.792,90), pois utilizam mais o transporte individual do que as pessoas com poder de compra mais baixo, pertencentes aos estratos 2 (média de renda de R$ 934,17) e estrato 1 (R$ 377 49).

– Desta forma, as famílias com maior poder aquisitivo, pertencentes ao estrato 3, tiveram a sua taxa de inflação aumentada em 0,40 ponto, ante 0,27 ponto e 0,13 ponto para as famílias dos estratos 2 e 1, respectivamente – afirmou Cornélia.

De acordo a coordenadora do ICV, os aumentos do gás de cozinha foram os principais responsáveis pela elevação de 0,33% no grupo habitação. O maior impacto ficou para as famílias do estrato 1 (0,12 ponto), em relação ao 0,09 ponto aferido pelo estrato 2 e ao 0,06 ponto pelo estrato 3.

O ICV acumulado de 7,70% em 2004 representou queda ante os 9,56% de 2003.

– No começo deste ano, esperávamos uma taxa de 5,5%. Mas alguns aumentos, com destaque para os combustíveis, planos de saúde e de algumas tarifas, como luz, telefone e água, elevaram a inflação para um nível acima da expectativa – comentou Cornélia.

– Para 2005, a taxa poderia cair bem porque a população tem problemas de renda para consumir. Mas acredito que o ICV fechará o ano em 5,5% porque os setores oligopolizados que pressionaram os preços em 2004 tentarão repassar os custos para o consumidor em níveis elevados.

No ano passado, afirmou, o grupo despesas de saúde apresentou o maior aumento, de 16,37%.

– A alta foi provocada basicamente pelos reajustes muito fortes dos seguros e convênios médicos, que subiram 22,54%, bem acima do registrado pelos medicamentos (6,61%) -comentou Cornélia.

Também pesaram no bolso do consumidor os aumentos registrados nos grupos transporte (9,94%), educação e leitura (9 76%) e despesas diversas (9,67%), no qual estão incluídos gastos com animais domésticos. Outros três setores apresentaram aumento levemente inferior aos 7,70% registrados do índice geral: habitação (6,87%), despesas pessoais (5,85%) e equipamento doméstico (5,62%). Três grupos apresentaram pequena variação, sobretudo devido ao poder de compra limitado de boa parte da população de renda mais baixa: vestuário (0,44%), alimentação (4 14%) e recreação (4,79%).

Cornélia chamou a atenção para o desempenho de subgrupos importantes que compõem o ICV. Houve desde deflação nas roupas (-0,58%) até um reajuste muito elevado na assistência médica (19 09%), seguido de fumo