Inflação desacelera e dólar retoma trajetória de queda

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Publicado terça-feira, 4 de abril de 2006 as 11:56, por: cdb

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal, resultados regionais, registrou desaceleração em quatro das sete capitais pesquisadas na última semana de março, ante o resultado da pesquisa anterior. Porto Alegre foi a cidade onde o IPC-S caiu mais. A taxa passou de 0,17% para 0,05%. O índice também diminuiu em São Paulo (0,27% para 0,17%), Brasília (0,23% para 0,19%) e Rio de Janeiro (0,03% para 0,02%).

O IPC-S registrou elevação em Salvador (0,58% para 0,75%), Belo Horizonte (0,27% para 0,34%) e Recife (0,37% para 0,39%). O IPC-S nacional teve queda de 0,02 ponto percentual na última semana de março e ficou em 0,22%, ante 0,24% da semana imediatamente anterior. Mais uma vez, os preços dos alimentos foram os responsáveis pela diminuição da taxa.

Os dados do IPC-S das capitais foram divulgados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta terça-feira. Para o cálculo do IPC-S, são considerados os preços de cerca de 450 produtos e serviços agrupados em sete classes de despesas de famílias com renda mensal de até 33 salários mínimos.

Dólar

A trajetória de queda foi mantida em relação à moeda norte-americana pelo quarto pregão seguido, com a chegada de novos recursos internacionais e as notícias positivas no front externo. Pela manhã, o dólar operava em baixa de 0,56%, cotada a R$ 2,128. Nesta segunda-feira, na abertura da semana, esses mesmos motivos colaboraram para a desvalorização da divisa em 1,15%, fechando o dia cotada a R$ 2,140.

Analistas acreditam que já foi superado o impacto pela saída de Antonio Palocci do Ministério da Fazenda, na semana passada, e a posse de Guido Mantega. A partir desta semana, o mercado inicia um ajuste na cotação dos ativos.

– Com as declarações de Mantega, favoráveis à continuidade do combate à inflação e do rigor fiscal, o mercado tende a se acalmar e adotar uma posição técnica mais moderada. Já passou o pior período de turbulência com a posse de Mantega. Agora, começam a surgir as denúncias contra o ministro Márcio Thomaz Bastos, da Justiça, mas o mercado ainda não se mostrou sensível ao fato. Muito pelo contrário – afirmou um operador.

A solidez dos fundamentos econômicos no país e o ingresso contínuo de capitais nos segmentos comercial e financeiro, têm favorecido a valorização do real.

– Acreditamos, no entanto, que o dólar deve encontrar resistência em romper a barreira dos R$2,10, pelo menos nos próximos dias – disse o corretor.

A liquidez internacional, porém, deve continuar em nível razoável e a expectativa de elevação dos juros pelo banco central norte-americano, o Federal Reserve, deverá fazer com que o Banco Central Europeu e Banco do Japão (BoJ) reduzam o volume de aplicações em mercados emergentes como o brasileiro. Um importante indicador sobre a economia e o consumo norte-americano, o Relatório de Emprego nos Estados Unidos, será divulgado na sexta-feira.

– O relatório é visto com cautela pelos investidores e pode provocar uma certa volatilidade nos preços dos ativos financeiros aqui no Brasil – previu.

Nesta sexta-feira também haverá a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março. No boletim Focus divulgado pelo Banco Central, nesta segunda-feira, houve uma redução das expectativas sobre os níveis inflacionários medidos pelo IPCA para 4,5% neste ano, o que agradou os investidores e teve reflexos positivos no pregão.