Indústria e Conama discordam quanto ao uso de pneus velhos

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Publicado quinta-feira, 6 de abril de 2006 as 10:35, por: cdb

“É impossível cumprir a meta de recolhimento de pneus estabelecida pela Resolução n.º 258, do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). Existe um problema de logística e uma quantidade de pneus inservíveis que é incompatível com o que o Conama estabeleceu”. A afirmação foi feita pelo diretor-Geral da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), Vilien Soares. Para ele, “o Conama foi irrealista em sua exigência”.

Soares destacou que, apesar dessa dificuldade, as indústrias estão se esforçando para recolher o máximo possível de pneus. Ele lembrou que o projeto de lei que regulamenta ações ambientais das empresas de pneus, de autoria do senador Flávio Arns (PT-PR), é “interessante”, ainda que não concorde com a importação de pneus usados.

– Nós não podemos concordar em ter que reformar pneus utilizando pneus velhos lá de fora, quando nós temos aqui no Brasil quantidades suficientes.

O senador Flávio Arns (PT – PR) explicou que “o projeto proíbe a importação de pneus usados para serem usados como de meia-vida, mas permite a importação da carcaça para que sirva de matéria prima para a remoldagem” Segundo o senador, a lei estabelece que para cada pneu importado deverão ser destruídos dez inservíveis.

– A contrapartida ambiental é tão severa, que inviabiliza o negócio – afirmou. Ele disse ainda, em Brasília, que o projeto quer envolver as empresas na manutenção da estrutura de reciclagem. O projeto está em votação no Congresso Nacional.

No Rio de Janeiro, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Pneus Remoldados (Abip), Francisco Simeão, afirmou que as indústrias vêm cumprindo as metas.

– Já recolhemos cerca de 80% a mais do que seria a nossa obrigação. os pneus remoldados custam, em média, 40% ou 50% mais barato que os de uma marca boa – disse.

Simeão disse que da totalidade dos pneus, apenas 6,54% são importados usados, e que o número de pneus novos trazidos de fora é 40% maior:

– Será que a preocupação é ambiental ou de mercado?

Já Márcio Rosa Rodrigues de Freitas, coordenador-geral de Controle e Qualidade Ambiental do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) disse que o Brasil tem tradição de reforma de pneus. Para ele, o maior problema é o destino final para os pneus.

Freitas informou que só há 27 empresas com autorização do Ibama para destruir os pneus, a maior parte delas localizada litoral e a maior dificuldade é o transporte. Para ele, a reciclagem nunca é completa.

– Todas as utilizações de pneus trazem problemas ambientais.