Indonésia diz ter sepultado mais de 100 mil

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Publicado quinta-feira, 27 de janeiro de 2005 as 10:17, por: cdb

A Indonésia disse nesta quinta-feira que já enterrou mais de 100 mil vítimas do tsunami. A declaração foi dada enquanto autoridades do governo e líderes rebeldes da Província de Aceh, a mais atingida do país, preparavam-se para se reunir em Helsinque (Finlândia) a fim de retomar negociações de paz.

Em Banda Aceh (capital de Aceh), caminhões dirigidos por soldados e voluntários despejavam corpos em decomposição dentro de buracos cobertos com cal, algo que se tornou comum na região da ilha de Sumatra, onde morreu a maior parte das vítimas das ondas gigantes.

Com quase 130 mil pessoas desaparecidas e mais de mil corpos descobertos diariamente em meio a montes de lama e lixo, as operações podem continuar por semanas.

– O total de corpos enterrados é de 101.199. O número de desaparecidos é de 127.749 – disse o centro de crise do tsunami em Banda Aceh em um comunicado.

Quase 300 mil pessoas morreram ou desapareceram nos países banhados pelo oceano Índico depois do terremoto submarino de 26 de dezembro, responsável por formar as ondas gigantes.
Em Helsinque, ministros indonésios e líderes rebeldes de Aceh, aproveitando o clima de cooperação surgido depois do desastre, devem se reunir em busca de reavivar o processo de paz paralisado há quase dois anos.

O ministro chefe da Segurança da Indonésia, Widodo Adi Sutjipto, deve liderar as conversações a serem realizas na capital finlandesa com líderes exilados do Movimento Aceh Livre (GAM). A delegação inclui ainda o ministro da Informação do país, Sofyan Djalil, e o ministro indonésio da Justiça, Hamid Awaluddin. Essa é a delegação de mais alto escalão a ser enviada pelo país para participar de uma negociação do tipo. 

Jan Egeland, coordenador para os serviços de emergência da Organização das Nações Unidas (ONU), elogiou o maior esforço de ajuda realizado no mundo desde a Segunda Guerra Mundial.
Apesar da situação das estradas, das poucas pistas de pouso e decolagem estarem operacionais e do mau tempo, “acreditamos ter conseguido evitar uma segundo onda de mortes”, afirmou Egeland em uma entrevista coletiva.

-Isso é incrível – disse.

Mas o representante da ONU observou que muitas pessoas ainda viviam em barracas e que as condições sanitárias e de atendimento médico continuavam precárias, mesmo não havendo nenhuma epidemia na região.

-Não há complacência para ninguém aqui. Salvamos um grande número de vidas, mas ainda não conseguimos devolver-lhes sua vida como era antes – afirmou.