Indicação de Moraes ao STF expõe Temer e busca por conter Lava Jato

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Publicado sábado, 11 de fevereiro de 2017 as 15:35, por: cdb

Policiais deixaram vazar para a mídia conservadora que existe um pagamento a Alexandre Moraes, de R$ 4 milhões, feito pela construtora JHSF, envolvida nas falcatruas da Operação Lava Jato

 

Por Redação – de Brasília

 

A indicação do advogado Alexandre Moraes à vaga em aberto no Supremo Tribunal Federal (STF), após a morte do ministro Teori Zavascki, em um acidente aéreo, recebeu uma nova saraivada de balas neste sábado. Rejeitado à direita, por sua informalidade na sabatina, informal e animada, em um barco suspeito no Lago Paranoá. E à esquerda, a ponto de ser alvo de representação contra ele na Procuradoria Geral da Justiça (PGR), Moraes ainda tenta se livrar de centenas de cadáveres gerados nas prisões dominadas pelas organizações criminosas, no Norte do país, e nas ruas do Espírito Santo, com a rebelião dos policiais militares.

Ministro da Justiça Alexandre de Moraes
Alexandre de Moraes tenta chegar ao Supremo Tribunal Federal

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deixou transparecer para a mídia conservadora, nesta manhã, que a representação do PSOL contra o presidente Michel Temer, pela indicação de Alexandre de Moraes para o STF, poderá encontrar algum respaldo. A representação aponta “ato de desvio de finalidade”.

O partido diz que Temer indicou Moraes não para aprimorar o corpo técnico da Corte, mas para contar com um aliado de “absoluta confiança”. Se aprovada a indicação, o novo ministro não somente será votará nas decisões do STF como atuará como revisor dos processos relacionados à Operação Lava Jato.

Ainda na representação, a legenda ressalta que Moraes era filiado ao PSDB, partido que compõe a base governista, do qual se desfiliou a menos de uma semana.

Investigação

A munição contida na representação partidária, no entanto, foi substancialmente incrementada pela denúncia de receptação de propina. Fontes policiais ligadas à Operação Lava Jato deixaram vazar para a mídia conservadora que existe um pagamento de R$ 4 milhões sob suspeita. Este teria sido feito pela construtora JHSF, envolvida nas falcatruas contra a Petrobras, a Alexandre Moraes. Ele nega qualquer irregularidade. Atribui a pequena fortuna aos serviços advocatícios prestados à JHSF, onde se originou o pagamento.

Segundo a matéria, ”no caso da Lava-Jato, investigadores já depararam com vários exemplos de contratos de prestação de serviços que foram forjados para lavar o repasse de propina. Seria essa a engrenagem a unir JHSF e Moraes?” questiona.

“As autoridades não descartam tal possibilidade”. E acrescenta: “Os pagamentos da planilha estavam associados a uma empresa da JHSF. Que tinha interesses na Secretaria de Transportes da cidade de São Paulo”. Justamente quando a pasta era comandada por Moraes. “O ministro rechaça a acusação”, informa.

Sob suspeita

Os escândalos se proliferaram durante os nove meses da gestão Temer. As recentes reviravoltas no governo para indicar Alexandre de Moraes ao STF, nomear Moreira Franco ministro da Secretaria-Geral e emplacar Edison Lobão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado acenderam um alerta vermelho para importantes segmentos do mercado de capitais, segundo um dos principais assessores financeiros do país.

Ricardo Lacerda, no comando do banco de investimento BR Partners, falou a jornalistas, na véspera. Segundo afirmou, “há um temor de que o governo use seu capital político para livrar a cara de aliados. Em vez de aprovar as reformas (pretendidas)”.

E previu, para um diário conservador paulistano, que há riscos de novas manifestações:

— há limitações para um governo de transição, sem apoio popular, obrigado a lotear cargos e refém de políticos suspeitos. Muitos dos que foram às ruas lutar contra a corrupção estão perplexos com essas nomeações.

Quanto a uma possível melhoria nos níveis de confiança do país, para os investidores, Lacerda permanece na torcida.

— Destruiu-se muita riqueza no Brasil nos últimos cinco anos. Investidor machucado demorará a voltar. Mas somos uma grande economia, daremos a volta por cima — concluiu.

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