Índia rejeita ajuda para resolver crise com Paquistão

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Publicado quarta-feira, 9 de janeiro de 2002 as 00:20, por: cdb

Representantes do governo da Índia disseram nesta terça-feira que a crise envolvendo o país e o Paquistão deve ser resolvida exclusivamente pelos dois países. Uma porta-voz do Ministério do Exterior indiano em Nova Délhi disse que “não há espaço” para a intervenção de estrangeiros, e que a Índia ainda espera que o Paquistão anuncie medidas sérias e significativas contra os militantes islâmicos da região da Caxemira.

O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, disse que deve anunciar novas medidas nos próximos dias contra os separatistas da região, que tem áreas administradas por indianos e paquistaneses. Em visita recente aos dois países, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse que a crise pode ser resolvida com negociações e diálogo político.

Ainda nesta terça-feira, um grupo de senadores americanos teve um encontro com Musharraf no Paquistão. O líder da comissão americana, o senador Joe Lieberman, disse que o presidente paquistanês está se preparando para realizar um pronunciamento “que vai mudar a história do país”. Lieberman disse ainda que as iniciativas “corajosas” que devem ser anunciadas por Musharraf vão incentivar uma resposta positiva por parte da Índia. “Eu espero, particularmente, que Índia e Paquistão retirem algumas de suas tropas que estão na fronteira”, disse Lieberman.

Mais cedo, representantes indianos disseram que querem provas mais convincentes da sinceridade do presidente paquistanês e mantém o país em estado de guerra. A Índia acusa o Paquistão de dar apoio a grupos armados que atuam na Caxemira e que seriam os responsáveis pelo ataque ao seu Parlamento, que ocorreu no mês passado.

O Paquistão, porém, nega as acusações e pede que a Índia apresente provas da participação de grupos sediados no país no ataque. As forças de segurança do Paquistão afirmam ter prendido mais de 300 ativistas islâmicos nos últimos dez dias. Musharraf também prometeu examinar uma lista de 20 suspeitos que a Índia pede que sejam extraditados. Segundo o presidente paquistanês, seu país “rejeita o terrorismo em todas as suas formas e manifestações”.