Incra da Bahia será ocupado por sem-terra

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Publicado quarta-feira, 17 de setembro de 2003 as 04:50, por: cdb

Um grupo de 160 trabalhadores sem-terra do acampamento de Açu Capivara, localizado próximo a Arembepe (a 35km de Salvador), anunciaram que vão ocupar nesta quarta-feira, às 9h, a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
 
A liderança do movimento afirmou que permanecerá concentrada na sede do órgão, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), até o assentamento definitivo das 60 famílias selecionadas para ocupar o terreno de 550 tarefas que pertenceu ao Grupo Cepel.

A área reivindicada pelos sem-terra já foi desapropriada e a posse encontra-se em nome do Incra. Segundo o diretor do Movimento pela Libertação da Terra (MLT), Damião da Silva, só falta o assentamento definitivo das famílias para resolver o problema.
 
– Pelo acordo fechado em 11 de agosto e nas outras duas propostas feitas pelo Incra ao movimento, o assentamento já deveria ter acontecido. Agora, não aceitamos mais acordos e só sairemos de lá depois que o processo for concluído – relatou o diretor.

Conforme Damião da Silva, além das 60 famílias selecionadas para ocupar o assentamento, outras 33, que ficaram de fora, participarão da ocupação.
 
– Essas famílias estarão lá para reivindicar a vistoria de novas áreas para serem desapropriadas – explica.

Ele afirmou ainda que a desocupação do prédio também ficará por conta do Incra, que deverá providenciar carros para retirar os sem-terra do local na hora em que a pauta for cumprida.
 
– O transporte que contratamos é responsável apenas por levar os manifestantes para o Incra. O retorno deverá ser providenciado pelos representantes do órgão ou então ficaremos lá indefinidamente – disse.
A tensão entre os trabalhadores do assentamento Açu Capivara e o Incra, alimentada por sete anos, culminou na retenção do ouvidor agrário do órgão, Geraldo Portela, na tarde da última segunda-feira.
 
Portela foi ao acampamento para discutir com a liderança do MLT os nomes que integravam a lista definitiva dos futuros donos da terra, quando surgiu o impasse e ele foi cercado por um ‘círculo humano’.

Geraldo Portela só foi liberado após a intervenção do superintendente da Polícia Federal na Bahia, Silvan Frenzel, que falou por telefone com o líder do MLT e se comprometeu a contactar pessoalmente o superintendente do Incra, Rogério Galo, e marcar uma nova reunião.
 
A decisão de ocupar a sede do órgão saiu antes mesmo que o representante da PF desse um retorno da promessa feita. A propriedade de Açu Capivara é a primeira da área do litoral e do município de Camaçari a ser incluída no processo de reforma agrária do governo federal. É também a mais próxima da capital e já está ocupada desde 1996.

A marcha que os três mil sem-terra, acampados no prédio do Museu de Ciência e Tecnologia (MCT), farão nesta quarta, em direção ao Centro Administrativo da Bahia, na Paralela, pode ser a última atividade do grupo, que está em Salvador desde o dia 7 de setembro.
 
No início da manhã, as lideranças estaduais do Movimento dos Sem-Terra (MST) viajam para Brasília para uma reunião com o ministro da Reforma Agrária, Miguel Rossetto, na tentativa de encontrar uma solução para as famílias que aguardam serem assentadas no estado.

Caso o objetivo seja alcançado, no início da noite, os trabalhadores retornarão para suas regionais, em ônibus fretados pelo movimento.
A notícia foi dada, na última terça-feira à tarde, em uma assembléia realizada no acampamento montado no museu.

A determinação dada pelas lideranças do movimento é de iniciar o desmonte do acampamento ainda no início da tarde, após o retorno da marcha ao CAB, onde reivindicarão a libertação de militantes do movimento que encontram-se presos.
 
Os pontos previstos para realizar as três paradas simbólicas são o prédio da Assembléia Legislativa, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e na 7º Vara F