Incerteza faz dólar subir na Argentina

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Publicado quarta-feira, 9 de janeiro de 2002 as 00:25, por: cdb

A expectativa quanto à abertura do mercado de câmbio na Argentina está provocando a alta do dólar no paralelo e incertezas sobre o plano do presidente Eduardo Duhalde. O dólar, no paralelo, está sendo vendido por até 1,70 pesos. Quando anunciou a desvalorização do peso, no domingo, o governo criou dois tipos de câmbio: um livre, e outro, para uso no comércio exterior, com o dólar valendo 1,40 pesos, ou cada peso valendo US$ 0,70. “Ainda existem muitas dúvidas sobre as medidas do novo governo e isto gera incertezas”, confirma o economista Eduardo Blasco, da consultora Maxinver.

“A incerteza não é mais em relação a moratória ou a desvalorização, que já são realidade – é sobre a capacidade do governo de administrar o custo social, como as perdas salariais, a alta de preços e a manutenção dos limites de saques bancários”, observa o analista político Rosendo Fraga, do Centro de Estudos União para a Nova Mayoria.

Para o economista Carlos Arbía, da consultora Exante, a revolta popular reaparecerá a medida que o país não dê sinais de reativação econômica, depois do fim do regime de conversibilidade. “Para que o plano funcione, é preciso que o governo corte gastos e consiga o equilíbrio fiscal. Se não conseguir esta meta, estará condenado ao fracasso”, afirma.

Quando perguntado sobre como esse fracasso funcionaria na pratica, Arbia disse que “hoje a principal incerteza na Argentina ainda é política. E é ela que gera incerteza na população”. “Sentindo-se desgovernada, ela voltará às ruas para protestar. Tivemos cinco presidentes em dezessete dias e ainda está tudo muito sensível por aqui”.

Para Rosendo Fraga, o clima é de expectativa e não de trégua das manifestações. Os três – Fraga, Blasco e Arbía – concordam que o baixo astral nacional é resultado, principalmente, do congelamento parcial dos depósitos bancários. “Além disso, é muito difícil tirar dos argentinos a cultura dos preços em dólar. Aqui, do taxista ao economista, todos pensam em dólar”, afirma Arbía.

“É por isso que acredito que a Argentina caminha para seguir o exemplo do Equador. Ali, diferente do Brasil, onde a desvalorização deu certo, a saída foi a dolarização”.

Rosendo Fraga é mais cauteloso, mas concorda que a fragilidade política é um problema no país. “O problema é que Duhalde resolveu acumular poder político pagando o preço de isolar a Argentina do resto do mundo. Assim, ele está atendendo aos políticos que o rodeiam, mas deixando de satisfazer as queixas dos argentinos que esperam por avanços.”