Incêndio em Roraima atinge reserva indígena

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Publicado sábado, 15 de março de 2003 as 09:52, por: cdb

Preocupado com a extensão do incêndio em Roraima, que acaba de entrar na reserva indígena yanonami, o governo federal anunciou nesta sexta-feira o apoio da Defesa Civil na região e uma compensação financeira para pequenos agricultores que não queimarem terras nesta época do ano.

O anúncio das medidas foi feito pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, após encontro com os ministros da Defesa, José Viegas, da Integração Nacional, Ciro Gomes e representantes do Ministério da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário.

O incêndio, que teve início no final do ano passado, já se espalhou por 60 quilômetros quadrados, do sul de Roraima, em Serra Lua, até a reserva Pouso do Sol, próxima à fronteira com a Venezuela.

Março é o mês mais crítico da seca na região. Aliada ao fenômeno do El Nino, que aumenta as temperaturas no Oceano Pacífico e à cultura de queimadas para plantio, o Estado se torna um foco fácil para incêndios.

Em 1998 ocorreu a queimada mais grave da região, atingindo 400 quilômetros quadrados. Segundo Marina Silva, o incêndio atual não deve ganhar a mesma proporção.

“Embora a situação seja grave, se fizermos a comparação com (o incêndio de) 1998, a situação é completamente diferente. Antes não tinha gente especializada no combate ao fogo”, disse a ministra a jornalistas.

Atualmente, 400 homens, entre eles muitos indígenas da tribo macuxi, atuam no combate ao fogo. Eles receberão agora ajuda da Defesa Civil e o envio de helicópteros, aeronaves, caminhões-pipa.

Quatro municípios tiveram estado de calamidade pública decretado: Cantá, Iracema, Alto Alegre e Mucajaí. O monitoramento por satélite detectou ainda uma invasão de 3 quilômetros da queimada na reserva indígena yanomani, que tem 9 milhões de hectares. Segundo Marina Silva, o combate ao fogo na área é prioridade, apesar dos índios estarem a cerca de 500 quilômetros do fogo.

Em Brasília, há mil bombeiros preparados para serem deslocados à Roraima caso a situação se agrave. Mas o governo avalia que, por enquanto, não é necessário usar todo o contingente.

Chuvas em 15 dias

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, existem previsões de chuvas em Roraima dentro dos próximos 15 dias.

A preocupação agora é que haja uma corrida dos agricultores para queimar suas terras e iniciar o plantio antes da chegada das chuvas. Os focos de incêndio estão todos em área de assentamento.

Por isso o governo irá pagar um seguro, nos moldes do usado contra a seca no Nordeste, para os agricultores que perderem a safra deste ano.

Ainda não se sabe, porém, quantos agricultores receberiam o seguro e qual seria o valor. No Nordeste o seguro varia de 425 a 525 reais por ano. Segundo a ministra, a cultura da queimada é prejudicial para o meio ambiente, mas não há como detê-la em pouco tempo.

“Este é um problema social grave. Estamos herdando um passivo de modelo equivocado de Reforma Agrária. É preciso tempo para mudá-lo”.

Ela acredita que a saída seria criar uma política específica de assentamento para a Amazônia e usar de vários mecanismos, além de apenas assinar proibições, para acabar com as queimadas.