Imprensa não está sozinha nas investigações, diz Bastos

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Publicado quinta-feira, 20 de abril de 2006 as 22:48, por: cdb

Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos destacou, em oito horas de depoimento, o trabalho importante da imprensa em auxiliar as investigações. O ministro acredita que “a diferença deste governo é que a imprensa não fica sozinha. O governo corta na própria carne, chega às soluções”, afirmou. Bastos disse também que o governo está permitindo que a Polícia Federal trabalhe com autonomia. Segundo ele, a PF está desvendando os fatos em tempo recorde. O ministro depôs na Comissão de Constituição e Justiça da câmara dos Deputados para falar do episódio de violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa.

Retórica

Na avaliação do deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), o depoimento do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados foi “simples, fático e mostra que realmente ele não tem nenhum envolvimento com o caso”.

Ele considerou que os argumentos da oposição são “exercício de retórica”, o que é natural de ocorrer em um ano de eleição. “É natural que a oposição queria trazer desgaste aos membros do governo, criar situações constrangedoras”, disse.

– Até mesmo tentaram cortar palavras enquanto ele (Thomaz Bastos) respondia. É natural da política – acrescentou.

Sobre a indicação do advogado Arnaldo Malheiros feita por Thomaz Bastos ao então ministro da Fazenda Antonio Palocci, o deputado disse que não viu ilegalidade na ação.
– Ele indicou o advogado, mas qual é o problema nisso? Uma pessoa indicar a um colega de ministério um advogado. Se ele tivesse participado de discussões, definido estratégia ou outro tipo de coisa, aí eu acho que o quadro não estaria seguro – afirmou.

Oposição

Líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Jutahy Junior (BA), afirmou que as ações do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, voltaram-se para proteger o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci quando ele ainda estava na pasta.

– Está comprovada a presença do ministro da Justiça não como representante do Estado brasileiro, mas como alguém que estava em defesa e dentro de uma estratégia de preservar o ministro – disse.

Na avaliação dele, Thomaz Bastos está “sob suspeita” e não tem mais como continuar no cargo.

– Está claro que o ministro da Justiça perdeu a confiança e cria constrangimento ao país de ficar no cargo – afirmou.

Líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ) informou que pretende entrar com representação na Comissão de Ética da Administração Pública contra Thomaz Bastos, por ele ter indicado o advogado Arnaldo Malheiros para prestar consulta a Palocci no caso da quebra do sigilo.

O depoimento do ministro à CCJ começou pela manhã e terminou no meio da noite.