Imprensa demoniza Evo Morales

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Publicado terça-feira, 2 de maio de 2006 as 18:26, por: cdb

A ofensiva contra Evo Morales

A imprensa brasileira está tratando a nacionalização do petróleo e do gás boliviano como usurpação dos direitos das companhias estrangeiras instaladas na Bolívia – dentre elas a Petrobrás. Mas não dá destaque ao fato de que o decreto firmado por Evo Morales não expropria as multinacionais. Apenas as obriga a venderem 50% mais uma de suas ações na Bolívia para a estatal do petróleo e gás YPFB. Esta é uma condição para que a Bolívia possa ter uma política estratégica para aqueles que são seus únicos recursos naturais e que se esgotarão dentro de algumas décadas.

 

Nacionalização era compromisso

O que a imprensa brasileira precisa dizer, também, é que a nacionalização do petróleo e do gás, ademais de um gesto de soberania e de proteção ao futuro da Bolívia, foi uma das principais promessas de campanha de Evo Morales. Assim, o decreto de nacionalização não deveria ser surpresa. Ou se esperava que Morales não cumprisse os compromissos de campanha? Lula teve esse comportamento, mas, convenhamos, ele não é o mais recomendável.

 

A greve de fome de Garotinho

Na defensiva, depois de ter sido feito de alvo de poderosa campanha de denúncias das Organizações Globo, Garotinho resolveu protestar por meio de uma greve de fome. A campanha contra ele existe mesmo, ainda que algumas das denúncias (não todas) feitas pela Globo se sustentem jornalisticamente. Mas não se dá um passo como este que Garotinho deu sem um plano de saída. Quando ele vai interromper a greve de fome? Quando a OEA enviar observadores internacionais?

 

Dias difíceis

A coluna Painel da Folha conta a história. Há dias, quando aguardava em Guarulhos o embarque para o México, José Dirceu perguntou a uma funcionária da Varig se poderia esperar em local reservado. Ela sugeriu a sala VIP, mas Dirceu explicou que estivera lá e a receptividade dos demais passageiros não fora boa. Pedido atendido, Dirceu fez outro: embarcar por último. A funcionária aquiesceu. Quando o ex-ministro entrou no avião, ela, por curiosidade, interfonou a um colega para checar a reação a bordo. “Não teve jeito. Vaiaram”, respondeu ele.
Para quem tem um ego descomunal, como Dirceu, deve ter doído.