Imprensa brasileira não aceita que Evo Morales pense por sua própria cabeça

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Publicado terça-feira, 9 de maio de 2006 as 16:32, por: cdb

Preconceito contra Evo Morales

O tratamento da mídia à nacionalização do gás boliviano continua carregado de preconceito e desrespeito contra Evo Morales. Jornais e revistas ficam procurando sempre um tutor, que estaria por trás de suas decisões. Ora este tutor seria Hugo Chávez, ora seria Fidel Castro. Veja desta semana chega a dizer, na capa, que Chávez “tramou o roubo do patrimônio brasileiro na Bolívia”. E, na matéria, chama Morales de “fantoche de Chávez”. Não aceita que Morales e os bolivianos pensem por contra própria. Talvez porque sejam descendentes de índios.

 

Um novo significado para populismo?

Na sua guerra aberta contra Hugo Chávez e Evo Morales, a imprensa brasileira está descobrindo um novo significado para a expressão “populismo”. Agora, toda medida que fira interesses do grande capital ou que confronte o império norte-americano é sumariamente classificada como populista.

 

De novo hábeas-corpus?

O ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira vai depor nesta quarta-feira na CPI dos Bingos. Os jornais já especulam se levará, embaixo do braço, um habeas-corpus do STF dando-lhe o direito de mentir e de calar-se diante de perguntas embaraçosas. Repito o que já disse aqui: este artifício é aceitável para bandidos, que querem apenas escapar das acusações e não têm satisfações a dar à opinião pública. Dirigentes políticos fazerem isso é o fim da picada. Partidos políticos providenciarem este artifício para seus dirigentes (ou ex-dirigentes) que vão depor, também.

 

PT não vai ouvir Silvio?

Palavras de Silvio: “Se a direção do PT me chamar para ser ouvido, eu vou. Por que não me chamam? Eu liguei para o Berzoini (presidente do PT) e disse a ele que gostaria muito de ser ouvido para que minhas informações ajudassem nas investigações intgernas. Eu nunca fui ouvido pelo PT. Nunca quiseram saber. Ou talvez saibam.” A direção do PT não tem nada a dizer sobre isso? Ou já sabe de tudo e sua preocupação é apenas abafar as investigações? Eu apostaria na segunda hipótese.

 

Empresa rica, empregados pobres