Impacto dos ataques sobre economia ainda é um mistério

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Publicado quinta-feira, 20 de setembro de 2001 as 09:46, por: cdb

Pouco após a colisão dos aviões com o World Trade Center e o Pentágono na última semana, um repórter perguntou: “Quais serão os efeitos dos ataques terroristas na economia?”

“Isso é o que menos importa”, repliquei. Como alguém pode até mesmo começar a considerar os custos econômicos antes que as perdas humanas sejam conhecidas? O repórter timidamente confessou que sua tarefa era cobrir o “que menos importa”. De fato, ele mesmo deveria estar cobrindo uma conferência no World Trade Center naquela fatídica manhã e teve sorte em ter dormido demais e perdido a hora. Após as tragédias de 11 de setembro, eu mesmo tive que tratar “do que menos importa” também.

Os economistas tentam responder a estas questões analisando experiências passadas e usando de raciocínio lógico. Embora não haja nada parecido com estes monstruosos ataques, experiências com desastres naturais podem fornecer algumas pistas.

A maior parte das pesquisas apontam que os desastres naturais, como terremotos e furacões, têm impacto relativamente pequeno na economia. George Horwitch, economista da Universidade de Purdue, dá um dos maiores exemplos disso, citando um estudo recente sobre o terremoto que abalou Kobe, no Japão, em janeiro de 1995, o mais devastador em uma cidade moderna. Cerca de 100 mil edifícios foram destruídos, e 250 mil danificados. Mais de 300 mil pessoas ficaram desabrigadas, e 6.500 pessoas perderam suas vidas.

Mesmo assim, 15 meses depois, a produção industrial voltou a 98% de seu nível pré-terremoto. Em julho de 1996, todas as lojas de departamento e 79% das pequenas lojas foram reabertas. O investimento cresceu. Histórias similares são contadas sobre os furacões Andrew e Hugo, além de outros desastres naturais.

Mesmo a severa destruição nas cidades alemãs na II Guerra Mundial não impediu o crescimento após o fim do bombardeio. A produção da Alemanha cresceu 148% entre 1947 e 1955, e ultrapassou seu nível pré-guerra.

Alguns desastres, entretanto, provocaram danos econômicos permanentes. Por exemplo, Newark nunca se recuperou plenamente dos tumultos dos anos 60. As depredações e saques minaram a fé no governo e no mercado; em contrastem os ataques terroristas parecem ter fortalecido a determinação americana de trabalhar em equipe e sua confiança no sistema público.

O conhecimento generalizado é que os desastres, naturais ou não, tipicamente têm apenas um modesto efeito na atividade econômica porque o capital humano – o conhecimento e as habilidades dos cidadãos – sobrevivem intactos. Nas economias modernas, o capital humano corresponde por cerca de 70% da renda nacional.

Prédios e máquinas podem ser reconstruídos, entulhos podem ser retirados; as chaves da produção são as pessoas e o conhecimento e habilidades humanos, e um sistema que permite que os recursos sejam empregados em capacidade máxima.

Os custos econômicos também são amortecidos porque a produção, inclusive serviços, pode ser obtida através de diferentes combinações de recursos. Empresas financeiras, por exemplo, estão sabiamente encontrando novas fontes de escritórios, incluindo hotéis.

Alguns economistas predisseram que os trágicos eventos de Nova York e Washington poderiam trazer algum benefício econômico ao estimular investimentos e destrancar o cofre da Previdência Social. Mas há algo profundamente errado com a forma como medimos o bem estar econômico, se esta tragédia levar à conclusão de que algum benefício econômico foi obtido. Dor e sofrimento não entram nas estatísticas nacionais de renda; prédios destruídos não são subtraídos do produto interno bruto; e a opção de utilizar o superávit orçamentário sempre esteve disponível.

Se o pensamento convencional estiver correta, os ataques terroristas – horríveis como foram – dificilmente colocarão a produção econômica muito longe dos trilhos, daqui um ano.

O pensamento convencional pode não ser o final da história, entretanto. James R. Hines Jr. e Christian Jaramillo da Universidade de Mi