Igreja vai admitir o uso de camisinha, dizem analistas

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Publicado segunda-feira, 24 de abril de 2006 as 12:33, por: cdb

A Igreja Católica brasileira aguarda do Vaticano, em breve, uma declaração sobre o uso de preservativos para impedir a disseminação da Aids, o que muda uma importante posição dos bispos diante de uma realidade mundial. Segundo o cardeal Javier Lozano Barragan, presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde, o papa Bento XV pediu que seu departamento estudasse o assunto. O ex-arcebispo de Milão, cardeal Carlo Maria Martini, representante de uma minoria moderada no conclave que elegeu o papa no ano passado, pediu por reformas, em uma entrevista publicada na Itália nesta sexta-feira.

O Vaticano se opõe aos preservativos como método anticoncepcional, mas diversos cardeais disseram, nos últimos anos, que utilizá-los é um mal menor se a contrapartida é a infecção por Aids.

– Meu departamento está estudando o assunto com cientistas e teólogos expressamente designados para redigir um documento que será publicado em breve – disse Barragan.

A Igreja Católica é contra o uso de preservativos e ensina que a fidelidade dentro do casamento heterossexual, a castidade e a abstinência são as melhores maneiras de impedir a propagação da Aids. De acordo com a Igreja, campanhas de incentivo ao uso de preservativos levariam a um estilo de vida imoral e hedonista. O cardeal Martini justificou seu pedido por mudanças referindo-se a casos em que, no casamento, um dos parceiros tem Aids.