Igreja Nossa Senhora do Carmo passa por reformas no Rio de Janeiro

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Publicado sexta-feira, 17 de outubro de 2003 as 10:15, por: cdb

Os sinos da Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, no centro do Rio de Janeiro,que guarda parte dos restos mortais de Pedro Álvares Cabral, voltam a tocar no fim do ano, depois de 24 anos de silêncio. Laudos técnicos garantem que apesar da inclinação de 60 centímetros sofrida pela torre, ela não precisar passar por reforços na estrutura nem há risco de desabar. A igreja, palco de fatos históricos como a coroação e aclamação de d. João VI, o casamento de d. Pedro I, a sagração de d. Pedro II e o batizado da princesa Isabel, está passando por reformas emergenciais com verba do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

A inclinação da torre da Antiga Sé foi percebida em 1979. É possível que ela tenha saído do prumo por causa da obra de um grande prédio na vizinhança. Entre 1980 e 1985 foram feitas medições para acompanhar a inclinação e o serviço foi retomado recentemente. Durante quatro meses, técnicos analisaram a torre e concluíram que ela está estável.

“Está tudo seguro. Foi feito um extenso trabalho de pesquisa e medição e não há risco nenhum”, garante o engenheiro Eduardo Jagger, presidente da Quorum Rio Consultoria e Projetos, empresa que gerencia a obra de recuperação da igreja.

A torre abriga sete sinos, que pesam cinco mil quilos. O maior deles, chamado de d. João, tem 1,60 metro de diâmetro e pesa duas toneladas e meia. “Há descrições do pintor Debret de que quando os sinos tocavam era possível ouvi-los do palácio imperial da Quinta da Boa Vista”, diz Jagger.

Para que os sinos voltem a tocar, é preciso recuperar a estrutura de ferro e madeira que os sustenta. A Quorum está tentando captar recursos para essa fase da obra. “A volta dos sinos é simbólica: o monumento está ressuscitando”, anima-se o padre José Roberto da Silva, pároco da Antiga Sé há seis anos.

Ele também está empolgado com a possibilidade de reconstrução de um órgão do século 18, do qual só restam vestígios. Na segunda-feira, chega ao Rio o francês Daniel Birouste, respeitado construtor e restaurador de órgãos. Ele vem convidado pela Sociedade de Amigos da Antiga Sé (Samas) para avaliar o instrumento que foi utilizado pelo padre José Maurício Nunes Garcia, compositor do Império. A idéia do padre José Roberto é ter no futuro um centro de referência em música barroca no prédio anexo da Antiga Sé.

Quando o pároco chegou à igreja, ela estava corroída pelo cupim e atingida por infiltração. Em 1998, a Quorum, reponsável pelo restauro da Biblioteca Nacional e Igreja Matriz de Tiradentes (MG), preparou o projeto para captar recursos. O BNDES assumiu o projeto e investiu R$ 1,2 milhão para descupinização e reforma dos telhados. As obras terminam em 2004. “Aí vamos voltar a correr o chapéu para restaurar os adornos e recuperar a pintura original da igreja”, diz o padre José Roberto.