Igreja e sem-terra protestam contra a guerra em frente a Embaixada dos EUA

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Publicado sábado, 22 de março de 2003 as 16:10, por: cdb

Logo após o Papa João Paulo II e a Igreja Católica brasileira se manifestarem contrários à guerra no Iraque, integrantes de pastorais e manifestantes do Movimento dos Sem Terra protestaram neste sábado em frente a Embaixada dos Estados Unidos, em Brasília. Eles reivindicaram o fim da guerra no Iraque. Vestidos de vermelho, homens, mulheres e crianças gritam slogans como “O povo sem terra na luta contra a guerra”. A segurança na Embaixada dos Estados Unidos foi reforçada.

Em Roma, o papa João Paulo II declarou neste sábado, em seu primeiro comentário em público sobre a guerra no Iraque, que o conflito ameaça toda a humanidade e que seus problemas não poderiam ser resolvidos pelas armas.

– Quando a guerra, como essa agora no Iraque, ameaça o destino da humanidade, é ainda mais urgente que proclamemos, com voz firme e decidida, que apenas a paz constrói uma sociedade mais justa e responsável. A violência e as armas não podem resolver os problemas do Homem – afirmou o Papa em um discurso para funcionários da estação de televisão católica Telepace.

Bispos protestam

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também divulgou nesta sexta-feira nota condenando a guerra dos EUA contra o Iraque. A seguir, a íntegra da nota, assinada por Raymundo Damasceno Assis, secretário-geral da CNBB.

“A Igreja no Brasil está consternada pela guerra dos Estados Unidos da América contra o Iraque e lamenta profundamente que ela tenha se iniciado sem que se esgotassem todos os meios possíveis para a solução pacífica do conflito.

Convidamos a todos a rezarem para que cesse o mais rápido possível o conflito e haja o menor número de vítimas.

Convocamos a todas as pessoas de fé e boa vontade à oração pela paz e sugerimos às famílias católicas que rezem o terço à Nossa Senhora, diariamente, na mesma intenção.

A CNBB está encaminhando procedimentos para ajuda solidária às vítimas da guerra e solicita a colaboração de todos para a reconstrução de um mundo mais fraterno e justo.

Como já afirmou em nota de 19 de fevereiro deste ano, a CNBB une sua voz à de milhões de brasileiros e brasileiras e às aspirações dos povos do mundo inteiro, para erguer a bandeira da paz, convicta de que esta somente será possível mediante relações justas, solidárias e fraternas entre nações, povos e pessoas”.