IGP-M de janeiro varia 0,39%

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Publicado quinta-feira, 27 de janeiro de 2005 as 18:16, por: cdb

O Índice Geral de Preços Médio (IGP-M) de janeiro teve variação de 0,39%, quase a metade da variação registrada em dezembro, de 0,74%. Este foi o segundo menor resultado para o indicador nos últimos dez anos – em janeiro de 2002 havia ficado em 0,36%, segundo a série da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A queda se deve à forte retração dos preços no atacado, principalmente no índice de matérias-primas brutas, que caiu de 1,19% para – 0,51% de um mês para o outro.

Segundo o coordenador da pesquisa, Salomão Quadros, a taxa deve se manter neste patamar em fevereiro, “se não vier a cair”.

– É muito difícil fazer previsões, mas a tendência é de que, na mesma medida em que o grupo educação eleve seu peso nas próximas semanas, devido ao início do período escolar, a pressão dos transportes fique quase nula e ainda a alimentação exerça pressão negativa – avaliou o coordenador.

Quadros destacou que também contribuíram para a queda do IGP-M em janeiro os preços das hortaliças e legumes, tradicionalmente em alta nesta época do ano, mas que não subiram tanto quanto se esperava. Ele também destacou a redução do impacto do reajuste da gasolina e do diesel anunciado pela Petrobrás no dia 26 de novembro.

– A tendência é de que este reajuste chegue próximo a zero nas próximas apurações – acredita Quadros. Neste levantamento, a variação da gasolina foi de 0,40% ante 3,59% no mês passado, enquanto o diesel teve alta de 1,52% ante 6,43% na pesquisa anterior.

Segundo ele, o índice de janeiro captou a queda no preço de alguns combustíveis, estimulada pela redução no valor internacional do petróleo.

– Caíram os preços dos produtos que a Petrobrás vem reajustando constantemente, e repassando o atual valor internacional, como é o caso do QAV ou do óleo combustível. Estes dois itens foram fundamentais para puxar para baixo o Índice de Preços por Atacado (IPA) – disse Salomão Quadros.

O IPA teve uma desaceleração de 0,61 ponto porcentual, passando de 0,81% em dezembro para 0,20%. O setor agrícola foi importante para esta desaceleração, ao passar de uma alta de 1 24% para queda de 0,25%, além do recuo de preços das matérias-primas brutas.

Segundo a FGV, a queda nesse item reflete um recuo nos preços de alimentos. Dos 14 itens que compõem esse subgrupo, 10 apresentaram retração e, dentre eles, oito tiveram deflação. Quadros destacou principalmente os preços das carnes, em baixa depois das festas de final de ano (Aves,-5,27%; Bovinos, -0,68%; e suínos -3,24%).

Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) aumentou, passando de 0,58% em dezembro para 0,80% em janeiro, assim como o INCC, que passou de 0,61% para 0,70%. A elevação do IPC em 0 22 ponto porcentual, para 0,80%, já estava “precificada” pelo mercado, na avaliação do economista Salomão Quadros. Segundo ele os aspectos sazonais eram conhecidos e “todos já sabiam que o índice teria que partir dos 0,60%”, afirmou.