IBGE mostra queda no número de crianças analfabetas

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Publicado sábado, 30 de novembro de 2002 as 14:56, por: cdb

A taxa de analfabetismo entre crianças até 10 anos caiu de 21,6% em 1991 para 11,4% em 2000, segundo os Indicadores Sociais do Censo 2000, divulgados hoje, nesta capital, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar da significativa redução, observa-se ainda atraso no ingresso no ensino fundamental de 383.269 mil jovens. Para esta idade, a taxa nos municípios com até 5 mil habitantes se iguala à nacional, subindo para 14,9% naqueles com cinco a 10 mil habitantes, e ultrapassando 18%, nos que têm de 10 a 50 mil habitantes.

Nos municípios com mais de 100 mil habitantes, essas taxas caem praticamente pela metade (6,1%, de 100 a 500 mil habitantes; e 5,4%, mais de 500 mil).

De acordo com a pesquisa, entre 1991 e 2000, aumentou em quase um ano a média de tempo de estudo dos responsáveis pelos domicílios no país, que passou de 4,7 para 5,7 anos. Essa melhora também se verifica na totalidade dos municípios. Nos mais populosos, foram encontradas as maiores médias: 7,8 anos de estudo, para os homens e 7,1 para as mulheres.

Os Indicadores Sociais do Censo 2000 revelam que a proporção de crianças de até 6 anos que vivem com o responsável sem o cônjuge aumentou de 11,2%, em 1991, para 16%, em 2000, somando neste último ano um total de 3,6 milhões de menores. O Rio tem a maior proporção, uma em cada cinco crianças nessa faixa etária mora só com um responsável, sem o cônjuge. Em todo o país, 1,8 milhão de crianças moram só com responsáveis mulheres, sem cônjuge, que têm rendimento mensal de até dois salários mínimos.

Sobre as desigualdades nas condições de vida das populações dos municípios grandes e pequenos, o estudo mostra que nos que têm até 5 mil habitantes, metade dos responsáveis pelos domicílios têm rendimento mensal de até R$ 200,00 e 3,7 anos de estudo em média, e que apenas 21,7% têm saneamento adequado. Nos municípios com mais de 500 mil habitantes, metade dos responsáveis ganha até R$ 540,00, com 7,6 anos de estudo e que 79,7% dos domicílios têm saneamento adequado.

O estudo mostra que, a partir de 50 mil habitantes, o número de municípios é menor, mas os indicadores e a infra-estrutura básica melhoram de forma crescente. De 1991 a 2000, a proporção de domicílios considerados potencialmente mais indicados como alvo de políticas públicas – aqueles onde o responsável tem menos de quatro anos de estudo, recebe mensalmente até dois salários mínimos e vive em domicílio sem acesso à rede geral de água, esgoto e coleta de lixo – passou de 27,8% para 16,7%. As maiores proporções foram verificadas no Maranhão (47,7%) e no Piauí (44,8%). Os municípios menos populosos apresentaram esse indicador bem mais elevado: 32,4% de domicílios nessas condições contra 4% de domicílios nos municípios com mais de 500 mil habitantes.

Em 2000, 50% dos responsáveis pelos domicílios tinham rendimento de até R$ 350,00. A diferença de rendimentos segundo o sexo do responsável pelo domicílio é expressiva: metade dos homens recebe até R$ 400,00 contra metade das mulheres que ganha até R$ 276,00.

Embora permaneça elevada, a proporção de crianças de até 6 anos que vivem em domicílios sem condições adequadas de saneamento – acesso à rede geral de água, esgoto e coleta de lixo – caiu de 66,2% para 54,4%, entre 1991 e 2000. No mesmo período, a proporção de crianças nessa faixa etária que moram em domicílios onde o responsável tem rendimento de até dois salários mínimos diminuiu de 60,5% para 48,6%. A tendência de redução desse último indicador foi verificada para todos os portes populacionais, mas nos municípios com até 50 mil habitantes essa proporção ultrapassa 60%. Nos municípios maiores, com mais de 500 mil habitantes, cai para 32,8%.

O número de crianças na primeira infância (até 6 anos) vivendo em domicílios cujo responsável não tinha cônjuge passou de 11,2%, em 1991, para 16% em 2000. Do total de 3,6 milhões de crianças que moram com os responsáveis sem cônjuge, a maioria (3 milhões) vive com responsáveis m