Ibase revela que pobres se sentem invisíveis socialmente

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Publicado quinta-feira, 8 de dezembro de 2005 as 11:49, por: cdb

A coordenadora do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), Fernanda Carvalho, afirmou que os pobres se sentem “invisíveis” socialmente.

– Eles ocupam um espaço na sociedade, mas não são vistos pelos outros grupos, principalmente pelos mais ricos – explicou.

Segundo ela, a falta de convivência das crianças pobres com as de outras classes sociais foi agravada pela perda da qualidade da escola pública.

– Para essas crianças (ricas) não existe a presença do negro, ou do pobre – informou.

No estúdio da TVE Brasil, no Rio de Janeiro, a coordenadora disse que saúde e educação são bons indicadores de desenvolvimento social.

– Nós ainda somos campeões da desigualdade. É muito estranho que estejamos tão empolgados com isso – acrescentou.

No estúdio da TV Cultura, em São Paulo, o professor Cassiano Ricardo Martines Bovo, do Núcleo de Estudos sobre a Pobreza da Faculdade São Luís, disse que as mudanças estruturais demandam tempo. Para ele, outros indicadores também poderiam ser incluídos nas pesquisas de pobreza.

– O lazer, a saúde, a educação, são fundamentais e deveriam ser levados em consideração, além da renda. O Brasil ainda é um dos países mais desiguais do mundo. Essas reduções de desigualdades são pequenas para um país desse tamanho – concordou.

Em Brasília, no estúdio da TV Nacional, o professor Marcelo Néri, economista-chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro e coordenador da pesquisa Miséria em Queda – Mensuração, Monitoramento e Metas destacou que os mais pobres tiveram um crescimento maior que os mais ricos.

– A miséria vem caindo nos últimos 12 anos, e eu acho que essa não é uma obra só desse governo, mas também de governos anteriores – afirmou.

Para ele, a pobreza é um fenômeno multidimensional e tem que ser tratada como tal.

– No Brasil falta uma mudança da distribuição de riqueza, a de renda já aconteceu muitas vezes – salientou.

Néri ressaltou que falta uma igualdade de oportunidades.

– A gente tem um dado novo, uma redução forte, fora do ano eleitoral, mas é cedo para dizer que há uma queda de pobreza sustentável, só o tempo vai dizer – completou.

Também no estúdio da TV Nacional, a secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Márcia Lopes, disse que o governo tem o dever de devolver a sociedade o que arrecada.

Segundo a secretária, a maior concentração dos recursos do ministério está nas regiões Norte e Nordeste, “não só na transferência de renda, mas com políticas de inclusão produtiva, construção de 114 mil cisternas, programas do leite e inúmeras iniciativas, neste sentido”.