Ibama multa ferrovia em R$ 10 milhões por acidente em MG

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Publicado quinta-feira, 12 de junho de 2003 as 15:26, por: cdb

O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) multou a Ferrovia Centro-Atlântica em R$ 10 milhões pelo acidente ecológico causado pelo descarrilamento de 18 vagões que transportavam produtos químicos e que interrompeu o abastecimento de água em Uberaba (472 km de Belo Horizonte) prejudicando cerca de 260 mil habitantes.

Dos 18 vagões que tombaram – a composição era formada por três locomotivas e 33 vagões -, oito transportavam 381 toneladas de metanol; cinco, 245 toneladas de octanol; dois, 94 toneladas de isobutanol e três, 147 toneladas de cloreto de potássio. Parte da carga atingiu um afluente do rio Uberaba.

Segundo o Ibama, esta é a maior multa já aplicada no Estado. A empresa também recebeu uma outra notificação, no valor de R$ 5.000, já que o fogo causado por uma explosão queimou vegetação em área de preservação permanente.

Este foi o oitavo acidente da Ferrovia Centro-Atlântica somente neste ano, e o 20º desde 2000.

Água

A prefeitura montou uma central de atendimento – telefone (0xx34)3338-6400 – para a solicitação de caminhão-pipa. Municípios próximos também estão colaborando. A prioridade é atender escolas, creches e hospitais. O prefeito em exercício, Odo Adão (PSDB), decretou estado de calamidade pública no município.

O gerente executivo do Ibama em Minas Gerais, Roberto Messias Franco, sobrevoou e vistoriou na última quarta-feira toda área atingida.

– Percorremos a pé toda extensão do córrego Congonhas até a sua foz no rio Uberaba, vendo o estrago causado. As primeiras medidas emergenciais já foram adotadas pela empresa e a qualidade da água vem sendo monitorada por três laboratórios independentes contratados – afirmou.

Os resultados das primeiras análises devem sair na manhã do próximo sábado.

De acordo com os bombeiros, a avaliação do impacto ambiental causado tanto pelo incêndio quanto pelo derramamento ainda não é precisa, porém foi possível observar a morte de répteis, alguns roedores, mamíferos silvestres e peixes.

Perigo

Na última quarta-feira, técnicos da ferrovia, da Defesa Civil e homens do Corpo de Bombeiros começaram a retirada dos vagões. A área continua isolada pois continuam os riscos de explosões, já que ainda há produtos químicos em alguns vagões.

De acordo com o coronel José Roberto, da Defesa Civil, o trabalho é cuidadoso.

– A estimativa dos bombeiros é de que a remoção da composição dure ainda cinco dias.