Hong Kong terá carteira de identidade inteligente

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 15 de abril de 2002 as 15:54, por: cdb

Hong Kong está se preparando para introduzir um dos mais avançados sistemas de identificação do mundo. A partir do ano que vem, cada um dos 6,8 milhões de habitantes do território receberá uma carteira de identidade com um chip que vai armazenar dados como nome, data de nascimento e impressões digitais. A novidade também ajudaria o governo a controlar a imigração ilegal. Mas o documento está sendo criticado por defensores da liberdade civil em relação à questão da privacidade e ainda há dúvidas se a carteira estaria a salvo de hackers.

Medidas de segurança
“Precisamos ter algumas garantias de que o sistema é seguro”, revelou Sin Chung-Kai, um vereador envolvido em questões de informação tecnológica em Hong Kong. “Minha maior preocupação é a privacidade individual”, afirmou.

“Estamos pedindo para o governo reduzir a quantidade de dados armazenados no chip ao menor número possível”, garantiu Chung-Kai. “Também exigimos que se use a mais avançada tecnologia de codificação para proteger as informações contidas no cartão”. O governo de Hong Kong estima que a distribuição das novas carteiras de identidade deve custar cerca de US$ 400 milhões.

Multiuso
A carteira de identidade inteligente terá o tamanho de um cartão de crédito. O chip colocado nela também deve armazenar informações como fotos ou endereço de seu dono. Por causa da questão da privacidade, as autoridades desistiram de incluir no documento informações médicas e financeiras dos cidadãos.

Os habitantes também poderão optar por usar o documento como carteira de motorista, cartão de acesso a bibliotecas públicas ou até como uma carteira eletrônica para fazer compras.

Barreira
Um dos principais motivos que levou o governo a introduzir a carteira inteligente é a tentativa de controlar a migração de chineses para Hong Kong. O cartão vai acelerar os trabalhos de verificação nos postos de fronteira, por onde passam cerca de 200 mil pessoas por dia. Apesar de Hong Kong ter sido devolvido à China pela Grã-Bretanha em 1997, o controle na fronteira continua rígido.

Mesmo com as críticas dos grupos de defesa da liberdade civil, a introdução de carteiras de identidade inteligentes está sendo estudada em outros países da Ásia e da Europa, e nos Estados Unidos. No ano passado, a Malásia implantou um documento digital que funciona como carteira de motorista e passaporte. Os habitantes têm a escolha de utilizá-lo ou não. A Finlândia também já introduziu o uso de uma carteira semelhante, não obrigatóriae o Japão deve fazer o mesmo no ano que vem.