Homens sauditas votam em eleições históricas

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Publicado quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005 as 09:28, por: cdb

Os homens sauditas começaram a votar em Riad nesta quinta-feira para eleições municipais, no primeiro estágio de um pleito que indica tentativas de reforma por parte da monarquia absolutista do país.

– Levou muito tempo para chegar aqui, mas quebramos uma barreira psicológica de que não conseguiríamos lidar com as urnas – disse o professor universitário Sulaiman Enezi, levantando os braços em sinal de triunfo depois de votar.

A votação é parte de um cauteloso programa de reformas introduzido pelo príncipe Abdullah, que enfrenta crescentes pedidos por mudanças feitos por ativistas domésticos e pelo principal aliado da Arábia Saudita, os Estados Unidos.

Críticos dizem que as eleições são uma resposta cosmética aos pedidos de reforma. Mas diplomatas afirmam que a votação pelo menos criará um mecanismo para os sauditas canalizarem suas preocupações e reclamações. Os eleitores escolherão somente metade dos membros dos conselhos municipais, que provavelmente terão poderes limitados. Os outros membros do conselho serão designados.

As mulheres não podem votar e poucos homens se registraram na região de Riad – somente 149 mil em uma cidade com mais de quatro milhões de habitantes.

– Isso é uma democracia defeituosa. Se há metade designada e metade eleita, não é justo. Dá para aceitar agora, mas espero que não exista mais no futuro – disse o eleitor Mohammed al-Homaidan, 45, em um dos edifícios públicos de Riad transformados em posto de votação.

– Mas é um passo adiante em direção a um passo maior no futuro, onde a sociedade levanta sua voz e participa na tomada de decisões -disse ainda.

A votação em Riad é a primeira parte de uma eleição de três fases para os conselhos municipais no país. No próximo mês, serão realizadas votações nas províncias do leste e do sul. Em abril, será a vez das regiões no oeste e no norte.

Mais de 1.800 candidatos concorrem a cerca de 200 vagas na área de Riad e alguns gastaram milhões de dólares na campanha, com cartazes e manifestos em jornais. Entre eles há empresários, figuras tribais, chefes de segurança e acadêmicos. Muitos prometeram acabar com a corrupção e distribuir a riqueza no país.