História de loiras famosas vira exposição em Londres

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 11 de março de 2003 as 17:47, por: cdb

Afrodite, Madonna, a modelo Twiggy, a ex-primeira ministra Margareth Thatcher e a princesa Diana.

Aparentemente não há nada em comum entre estas mulheres a não ser um detalhe: o cabelo loiro. Verdadeiras ou não, as loiras estão em exposiçao na National Portrait Gallery em Londres, até julho.

A exposição British Blondes – que não traz apenas loiras britânicas – foi organizada por Joanna Pitman, jornalista britânica e autora do livro “On Blondes”, um estudo da história cultural das loiras, uma história bem mais antiga do que muitos pensam.

“O estudo começou com o primeiro registro histórico, Afrodite, a deusa grega do amor e da fertilidade, um ícone loiro e chegou até a última loira famosa, a cantora Madonna”, afirma Pitman.

Mistura Perigosa

Nesse estudo, a jornalista descobriu que na Itália, na época da Renascença, as mulheres faziam misturas com prata e até urina de cavalo, colocando a saúde em risco para tingir o cabelo de loiro.

Ser loura, por isso, virou símbolo de riqueza.

Quando Pitman começou sua pesquisa, ela pensava que a maioria das loiras famosas eram naturais, mas acabou descobrindo que apenas uma em cada dez loiras é verdadeira.

“A vontade de ser loira vem mesmo da Grécia Antiga, do símbolo de Afrodite. Historicamente, o cabelo loiro é mostrado como algo que chama mais atenção, atrai luz”, disse a jornalista.

E a própria jornalista confessa que tingiu se cabelo de loiro e se sente mais confiante, acredita até que é mais bem tratada em público por causa disso.

Estereótipo

Mas, nem tudo são rosas para as loiras. A própria jornalista concorda que o estereótipo da “loira burra” surgiu na época do império romano.

“Há o registro de uma mulher romana que tingia o cabelo com um preparado muito forte e que as pessoas com esse cabelo quase branco não eram vistas pelos romanos como muito inteligentes. Em Paris, no século 19, uma amante de políticos, também loira, era famosa por não conseguir se expressar direito”, afirmou.

E a jornalista lembra as loiras dos anos 50 e 60 que invadiram as telas de cinema, lideradas por Marilyn Monroe.

A atriz britânica Diana Dors, seguindo o modelo das estrelas loiras dos anos 50.

“Estas foram criadas pela industria cinematográfica como figuras dependentes dos homens, ingênuas, uma resposta às mulheres mais independentes e que trabalhavam fora surgidas na época da Segunda Guerra Mundial”, disse Pitman.

Entre as vinte loiras britânicas que fazem parte da exposiçao apenas duas são naturais.

Os retratos mostram desde as loiras da década de 30 (ideal da mulher ariana), às estrelas dos anos 50 e 60, às loiras modernas e bem sucedidas.

Pitman também mostrou as loiras do poder, como a ex-primeira ministra britânica Margaret Thatcher.

“Há uma foto dela (Thatcher) com o cabelo loiro, uma verdadeira auréola em volta de sua cabeça. A medida que ficou mais poderosa, o cabelo de Thatcher ficou mais loiro, como um símbolo de poder mesmo”, afirmou.

A jornalista afirmou que, na época da Guerra das Malvinas, na década de 80, Thatcher chegou a se comparar com a rainha Elizabeth I que venceu a Armada espanhola, no século 16.

E a jornalista lembra que, no final da vida, Elizabeth I era retratada com o cabelo loiro, um símbolo de poder e pureza.