Heloísa Helena diz que não é lobista nem gigolô do FMI

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Publicado quinta-feira, 16 de outubro de 2003 as 18:58, por: cdb

A senadora Heloísa Helena (PT-AL) defendeu nesta quinta-feira em plenário a manutenção no Orçamento da União de 2004 de verbas para a saúde no valor de R$ 3,6 bilhões, realocadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza.

Nesta quarta, em encontro com senadores no Palácio do Planalto, Lula rotulou de “lobistas dos interesses dos hospitais” alguns dos defensores da destinação orçamentária original.

– Não sou lobista de hospital, nem gigolô do Fundo Monetário Internacional nem parasita do Banco Mundial – disse a senadora.

Ela justificou a manutenção dos recursos na área de saúde com o argumento de que estudos técnicos indicam a mudança do perfil de doenças causadoras ou não de morte no Brasil. Conforme o entendimento da senadora, para Lula, investir no combate à pobreza é investir na saúde, já que a maior parte das doenças seria causada pela fome e a falta de saneamento.

Heloísa observou, no entanto, que os brasileiros, principalmente os pobres, são hoje igualmente atingidos tanto por doenças típicas da pobreza quanto por aquelas que vitimam as populações dos países desenvolvidos, como as cardíacas e crônico-degenerativas. Sem contar os danos à saúde provocados pela violência.

A senadora criticou a política fiscal do governo, que na busca de superávits no orçamento para agradar aos investidores e organismos internacionais, como o FMI, estaria privando o povo de investimentos sociais.

– Temos a obrigação de investir tanto em centros de saúde quanto em hospitais. O errado é ficarmos enchendo a pança dos agiotas internacionais – afirmou.

Heloísa Helena foi apoiada, em aparte, pelo senador Almeida Lima (PDT-SE), que chamou Lula de arrogante.