Haverá bloqueio no Orçamento e será preciso trabalhar com pé no freio e no acelerador, diz ministra

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 3 de janeiro de 2011 as 12:07, por: cdb

Brasília – A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, reforçou hoje (3) que haverá bloqueio nos recursos do Orçamento neste ano em todas as áreas do governo. “Todo ano tem contingenciamento. Não há diferença este ano”, disse Miriam. Segundo ela, esse bloqueio será discutido com outros ministros e avaliado pela presidenta Dilma Rousseff.

Segundo a ministra, o bloqueio nos recursos é necessário porque as receitas previstas no Orçamento estão acima do que o governo acredita ser realista. “Será necessária a participação de todos os ministérios”, acrescentou. A ministra acrescentou, entretanto, que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) será preservado.

“Vou ter que trabalhar com os dois pés, tanto no acelerador como no freio”, disse Miriam. A ministra enfatizou que é preciso “fazer mais com menos” e que os gastos de custeio não podem ser satanizados. “É muito comum essa satanização. Bolsa Família é custeio, atendimento de saúde é custeio. Eu não posso satanizar esses gastos. Precisa tomar cuidado de [não] colocar tudo no mesmo saco como se fossem gastos perniciosos”, acrescentou.

Sobre o resultado primário – receitas menos despesas, excluídos gastos com juros –, Miriam afirmou que ter alcançado “superávit em um ano como 2009 é um reflexo do sucesso das ações de combate aos efeitos da crise internacional”. Segundo ela, atualmente, “o cenário não está todo azul pelo mundo afora”. A ministra acrescentou que o governo dará atenção às preocupações do mercado financeiro sobre as contas públicas e tomará as decisões mais adequadas para o país.

Hoje, na transmissão do cargo de ministro de Planejamento para Míriam Belchior, Paulo Bernardo afirmou que o déficit nominal zero poderia ter sido alcançado em 2010, se não fosse a crise financeira internacional. Segundo ele, “essa meta certamente será perseguida”. O resultado nominal é a diferença entre receitas e despesas, incluídos os gastos com juros da dívida pública.

A nova ministra, por sua vez, disse que só irá se manifestar sobre a proposta de déficit nominal zero depois de discuti-la com a equipe de governo.

Edição: Juliana Andrade

Leia também:

Gastos de custeio não podem ser “satanizados”, afirma nova ministra do Planejamento Benefício do Bolsa Família será reajustado este semestre, diz Miriam Belchior Miriam Belchior assume Planejamento e implementa mudanças Governo vai trabalhar para zerar déficit nominal, diz Paulo Bernardo