Hamas critica novo plano de ajuda aos palestinos

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Publicado quarta-feira, 10 de maio de 2006 as 11:19, por: cdb

O Hamas reagiu com irritação ao anúncio do novo plano de ajuda aos palestinos, elaborado pela União Européia (UE), que planeja enviar dinheiro diretamente aos palestinos, sem passar pelo governo liderado pela organização militante. O projeto consiste na criação de uma fundação que coletaria verbas para aliviar a crise financeira nos territórios palestinos. Apresentado pela UE, ele contou com a aprovação dos demais integrantes do chamado Quarteto (ONU, Estados Unidos e Rússia), que media a crise no Oriente Médio.

– Todos eles querem manter o governo (palestino) à parte, eles não querem colaborar com o governo. Acredito que isso vai criar uma situação ainda mais perigosa –  disse à BBC o porta-voz do Hamas Ghazi Hamad.

A ministra do Exterior israelense, Tzipi Livni, disse à Rádio Militar do país que o plano é totalmente aceitável para Israel.

– No que nos toca, a decisão do Quarteto de dar ajuda humanitária à Autoridade Palestina sem passar pelo governo do Hamas é definitivamente OK –  disse ela.

Ajuda

O programa assistencial foi anunciado durante uma entrevista coletiva na terça-feira, na qual os integrantes do Quarteto explicaram que o chamado “mecanismo temporário internacional” deve durar três meses. Não foi especificado, no entanto, o valor exato, nem que tipo de ajuda será enviada.

De acordo com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, o programa de auxílio será “limitado em duração e alcance” e fornecerá “a entrega direta de auxílio à população palestina”. O programa, disse ele, deverá garantir “a entrega direta de qualquer tipo de assistência ao povo palestino”.

O governo palestino, comandado pelo Hamas, enfrenta uma grave crise financeira desde que, em abril deste ano, os Estados Unidos e a União Européia decidiram suspender o envio de verbas à região. Os Estados Unidos e o bloco europeu vêm exigindo que o Hamas reconheça Israel e abdique da violência.

A secretária de Estado americana, Condolezza Rice, afirmou que os Estados Unidos estão dispostos a investir cerca de US$ 10 milhões (cerca de R$ 20,7 milhões) em organizações de assistência a crianças e em medicamentos, em um projeto separado do fundo criado pela UE.

Os Estados Unidos inicialmente se opunham ao projeto defendido pela União Européia, mas Rice comentou que o acordo mostrou que a comunidade internacional “ainda está tentando responder às necessidades do povo palestino”. A secretária de Estado pediu que Israel forneça também assistência aos palestinos, mas acrescentou que a resolução da crise compete à administração palestina.

Dificuldades

Segundo a correspondente da BBC em Nova York, Laura Trevelyan, o plano de ajuda interina foi fechado depois de ter ficado aparente que a suspensão da ajuda internacional não mudou a política do Hamas.

A comissária de Assuntos Exteriores da UE, Benita Ferrero-Waldner, disse que especialistas vão se reunir em Bruxelas para discutir o plano de ajuda interino. Mas, segundo ela, “não se trata de um mecanismo fácil”, e ele deverá levar semanas, e não dias, para ser implementado.

O governo palestino emprega cerca de 165 mil pessoas e gasta aproximadamente US$ 166 milhões (cerca de R$ 344 milhões) com o pagamento de seus salários. Na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, cerca de 25% dependem de salários que recebem do governo.

Muitos dos empregados do governo não receberam salários nos últimos dois meses.O Banco Mundial e a ONU alertaram que o corte de recursos enviados aos territórios pode detonar uma crise humana e de segurança na região.