Guerrilha colombiana condena o terror mas critica os EUA

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Publicado segunda-feira, 24 de setembro de 2001 as 11:52, por: cdb

As FARC-EXÉRCITO DO POVO DIANTE O TERRORISMO

ÁREA DESMILITARIZADA, 15 DE SETEMBRO DE 2001

De povo a povo

“Queremos manifestar com clareza nossa condenação ao terrorismo, independentemente da origem que tenha. As ações violentas que têm como objetivo intimidar a população civil ou suplantar ao povo com ações individuais que este deve desenvolver, só podem alcançar a incerteza e o repudio popular.” É o claro enunciado aprovado em nossa Oitava Conferência Nacional de Guerrilheiros, em abril de 1993, mostra de nossa concepção política e de nossos princípios éticos e morais sobre este tema

Neste 11 de setembro, batizado pela grande imprensa como “terça-feira negra” – sinal de racismo -, vários comandos suicidas arremeteram contra os símbolos americanos, em uma impensável ação terrorista que deixou milhares e milhares de mortos, que ainda as autoridades americanas não têm revelado o número. Será a vergonha, por ter inspirado com suas políticas imperiais de corte terrorista esta condenável ação, onde o grande prejudicado é o povo americano?.

A sociedade americana, em sua maioria desinformada da realidade pelo papel dos grandes meios de comunicação e sumida em aparente conforto do consumismo, reação indignada contra os ataques, com toda a razão do mundo. Mais quem são os responsáveis? Seu próprio governo, seu Estado imperial que semeia morte e violência em todo o globo terrestre e asfixia por todos os meios as lutas dos povos por sua autodeterminação.

A este povo, que desperta diante uma realidade criada pelas políticas de seu Estado, o chamamos a exigir seus direitos. Que seu governo lhe explique o porquê são vítimas dessas condenáveis ações, que nunca serão justificadas pelos lutadores populares. A essa sociedade expressamos nossa solidariedade de povo que luta por seus direitos fundamentais, com as armas na mão, porque não nos têm deixado outra opção.

É a primeira vez na historia que ocorrem atentados destas magnitudes ao interior dos Estados Unidos, que em meio de sua prepotência militar, nunca imaginou que isto aconteceria. Podemos imaginar as conseqüências, se antes se inventavam os pretextos para intervir em qualquer lugar da terra, agora o ataque e destruição de seus símbolos de poder lhes permitirá exigir ao mundo seu total ajoelhamento, na ajuda contra o que denominam a primeira guerra deste século.

Seu objetivo: Os povos do mundo

Já se expressam aberrações que se pensavam superadas nos chamado mundo “civilizado”. Racismo, os árabes americanos recebem agressões e mau trato, – que vão desde os insultos até o apedrejamento e as ameaças de morte – pelo feito de ser árabes. Isto ocorre também em outros países.

Macarthismo político, espalhado a todo o mundo, todo aquele que mantenha uma atitude política digna em oposição a suas pretensões imperiais, é considerado inimigo e terrorista. Claramente o disse à senadora de Nova York e ex-primeira dama Hillary Rodham Clinton “O resto do mundo deve entender: Se não estão com nós, estão contra nós.” A clássica “lei do funil”.

Iniciam uma verdadeira “caçaria de bruxas” e declaram a guerra. Mas a quem? Aos que eles mesmos formaram, armaram e enriqueceram na etapa da guerra fria?

Ou aos responsáveis da política que, em uma absurda e calculada demonstração de poderio militar, lançaram bombas atômicas contra Hiroshima e Nagasaki?

Ou aos que promoveram as matanças e o intento do extermínio dos vietnamitas, dos coreanos, dos cambojanos?

Ou a quem fomenta o sionismo como forma de expropriar e acabar com o povo palestino?

Ou, aqueles que se inventaram a doutrina da seguridade nacional em anos não muito longes, sustento do terrorismo de Estado em América Latina e que ainda existe na Colômbia?

Ou aos que semearam e desenvolveram as dinastias sangrentas em América Central e o caribe?

Ou aos kissinger e companhia, que guiaram a besta militar chilena, para acabar com um governo, o de Salvador Allende, legitimamente constituído?