Guerra unilateral vai abalar muito a ONU, adverte Vaticano

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Publicado sábado, 8 de março de 2003 as 19:11, por: cdb

O Vaticano advertiu neste sábado, que uma declaração de guerra ao Iraque sem que tenham sido alcançados votos suficientes no Conselho de Segurança, ou contrariando um eventual veto, condenaria a ONU a um fracasso difícil de ser superado.

A afirmação foi feita pelo arcebispo Renato Martino, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, em declarações à agência missionária vaticana Misna.

“Se apesar da insuficiência de votos, ou mesmo do veto, ainda houver a guerra, a ONU seria abalada de uma forma que não sei se conseguiria se recuperar”, declarou Martino, ao acrescentar que “isso acabaria com o objetivo de criação das Nações Unidas: a manutenção da paz e do desenvolvimento”.

O arcebispo, que durante 16 anos foi observador permanente do Vaticano na ONU, afirmou que “se trata de um perigo gravíssimo que a comunidade internacional não deve correr, porque sabemos como a Sociedade de Nações fracassou”.

Depois de se mostrar contrário a um ultimato e ao uso do veto, Renato Martino disse apoiar a manutenção da resolução 1441, assim como a concessão de um tempo maior aos inspetores.

“Como Hans Blix pediu, os inspetores precisam de pelo menos mais quatro meses para fazer seu trabalho, e o Iraque, graças às fortes pressões exercidas pelo presidente Bush, entre outros fatores, está respondendo às exigências”, afirmou o arcebispo.

Em uma matéria de primeira página do jornal vaticano L’Osservatore Romano, Renato Martino declarou hoje que “o caminho para a paz é longo, mas não impossível, as resistências são muitas, mas não insuperáveis, o passado dificulta o futuro, mas não o prejulga”.