Guerra é sentida diariamente nas empresas americanas

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Publicado quinta-feira, 27 de março de 2003 as 15:39, por: cdb

Televisões ligadas em tempo integral, baixa do moral, vendas que caem: a guerra no Iraque é sentida a todo momento nas empresas americanas.

“Fala-se da guerra todo dia”, diz Mike Mancuso, especialista em gráficos de internet para a pequena empresa Hylotek.

A guerra se transformou no tema de discussões número um na maioria das empresas, embora muitos omitam sua opinião.

“Nos Estados Unidos ninguém comunica sua opinião política no trabalho. Simplesmente nos dizemos ‘energicamente que tudo acabe logo'”, explica Jeff Mirman, diretor-comercial da organização profissional hoteleira Leading Hotels.

“Não temos tempo para conversas filosóficas”, afirmou Matthew Burris, diretor-financeiro da rede de roupas Liz Clairborne, notando entretanto que, “quando as pessoas passam em frente a uma televisão, elas param”.

Desde que caíram as primeiras bombas sobre Bagdá, os funcionários passam uma grande parte do dia plantados em frente aos televisores ou às suas telas de computador, conectados à internet.

Essa busca de informações afeta o ambiente de trabalho.

“Para muitos, este ambiente é uma reminiscência do que se seguiu aos atentados de 11 de setembro de 2001. As pessoas sentem novamente essa sensação de fadiga, produto de uma overdose de notícias opressivas e onipresentes”, assinalou John Challenger, consultor econômico independente.

“Ouço o rádio ao me levantar de manhã e as informações me afetam durante o dia”, diz Andrew Blechman, diretor de uma pequena empresa de comida.

“As empresas cujos empregados têm parentes no exército ou as que empregam reservistas são as mais afetadas”, indicou Challenger, destacando que em Nova York e Washington as drásticas medidas de segurança se somam ao estresse ligado aos temores a novos atentados terroristas.

“Desde a passagem ao nível de alerta laranja (muito alto) há um mês, há guardas que fazem rondas todos os dias e os empregados devem ter permanentemente sua carteira de identidade. Mas ninguém se queixa”, conta Burris.

Todos concordam que os negócios caíram, embora não saibam se devem atribuir a queda somente à guerra ou às más condições da economia americana.

“Sentimos que nossos clientes potenciais esperam, que têm suas carteiras fechadas”, afirma Mike Mancuso.

“Tivemos uma queda nas vendas sábado passado (22), após o começo dos bombardeios, menor porém do que durante a tempestade de neve de fevereiro”, disse Burris, prevendo que “o impacto será grave se a guerra se prolongar”.