Guerra contra Iraque está autorizada

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Publicado quarta-feira, 19 de março de 2003 as 22:11, por: cdb

O prazo dado para o presidente do Iraque, Saddam Hussein, deixar o país terminou às 20:00 em Washington, 22:00 horas em Brasília e, agora, o mundo aguarda o que, ao longo dos últimos meses tanto se temeu e se tentou evitar – um ataque militar ao Iraque, que pode ocorrer a qualquer momento e ter características devastadoras.

Os preparativos finais para o ataque já foram tomados, incluindo a concentração de tropas dos Estados Unidos que se deslocaram pelo deserto do Kuwait para a fronteira sul do Iraque e bombardeios aéreos destinados a neutralizar a artilharia iraquiana com alcance na regiao fronteiriça.

Testemunhas disseram que uma gigantesca coluna de tanques está avançando em direção à fronteira do Iraque, acompanhada de veículos blindados com tropas e caminhões de abastecimento.

O deslocamento começou horas antes de esgotar-se o prazo dado pelo presidente George W. Bush para Saddam Hussein deixar o poder ou enfrentar uma ação armada.

As testemunhas disseram que uma compacta coluna de 26 quilômetros de extensão se deslocava por estrada no norte do Kuwait à caminho da fronteira do Iraque.

Funcionários do Pentágono disseram que tempestades de poeira na região se tornaram importante fator para a decisão de quando o ataque será iniciado.

Ventos de cerca de mais de 30 quilômetros por hora reduziam dramaticamente a visibilidade no deserto do Kuwait, mas se esperava que iriam diminuir sensivelmente durante a madrugada.

As tempestades de poeira podem ser um problema para os helicópteros, que devem desepenhar um papel fundamental para a invasão.

Os funcionários do Pentágono disseram que a Casa Branca deseja que o ataque aéreo e o terrestre ocorram quase simultaneamente.

“Tudo pronto para o ataque”

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, foi informado pelo Pentágono de que as tropas norte-americanas no Golfo Pérsico estão prontas para atacar o Iraque e aguardavam apenas a ordem de Washington, que já poderia ser dada logo mais à noite.

Bush deu ao presidente do Iraque, Saddam Hussein, e seus filhos, Uday e Qusay, um prazo até as 20:00 (horário de Washington, 22:00 em Brasília e 04:00 de quinta-feira, em Bagdad) desta quarta-feira para que renunciem ao poder e partam para o exílio.

Um alto funcionário da Casa Branca informou que o presidente se reunirá nesta quarta-feira com o Conselho de Segurança Nacional e com o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld.

Por sua vez, funcionários do Pentágono ressaltaram que o ultimato feito por Bush na última segunda-feira não fixa um prazo para o início dos ataques, que seriam deslanchados “na hora em que o presidente achar melhor”.

As fontes da CNN lembraram a tática usada por Bush quando o presidente deu um ultimato ao regime fundamentalista islâmico do Talibã antes de invadir o Afeganistão, no final de 2001.

“Não existe mágica em termos de ação militar”, disse um alto funcionário do Pentágono.

“O presidente tomará a decisão militar com base no que os militares acharem ser melhor”, disse a outra fonte da CNN. “O prazo em questão é o prazo político para Saddam Hussein”.

Nenhum dos funcionários do Pentágono, porém, quis descartar a possibilidade de a guerra começar mesmo nesta quarta-feira.

Em 20 de setembro de 2001, em pronunciamento ao Congresso norte-americano, Bush deu um ultimato aos talibãs para que cooperassem imediatamente com os Estados Unidos e entregassem os líderes da rede terrorista Al Qaeda.

Os Estados Unidos, porém, só iniciaram a campanha militar contra o Afeganistão em 7 de outubro daquele ano.

Para os funcionários do Pentágono, a espera até que a guerra contra o Iraque comece deverá ser “muito curta” caso Bush opte por não invadir o país do Golfo Pérsico nesta quarta-feira à noite.

Na região norte do Iraque, controlada pelos curdos, uma fonte da União Patriótica do Curdistão disse que 28 soldados iraquianos desertaram. Outros três teriam sido mortos a tiros quando tentavam