Gucci perde seu CEO e estilista em disputa comercial

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Publicado quarta-feira, 5 de novembro de 2003 as 11:30, por: cdb

Os homens que transformaram uma criativamente exausta Gucci em uma das marcas mais dinâmicas do mundo da moda anunciaram, na última terça-feira, seu desligamento da companhia, aparentemente recusando-se a aceitarem os desejos de seu proprietário francês.    

A Pinault Printemps-Redoute (PPR), que assumiu o controle do Grupo Gucci há dois anos, anunciou que não conseguiu alcançar um novo acordo contratual com Tom Ford, estilista da Gucci desde 1994, e Domenico De Sole, seu chefe executivo, após meses de negociações.

Eles vão deixar a companhia em abril, mas Ford vai desenhar as coleções femininas e masculinas da Gucci e Saint Laurent até o outono de 2004.

Os dois homens transformaram uma marca da alta sociedade, cujos sapatos altos e bolsas listradas perderam sua força em um imensamente rentável fornecedor de estilo sexy.

Ford, 42 anos, com a imagem de uma estrela do rock, reinventou as roupas da Gucci, criando anúncios provocativos e colocando modelos nas passarelas com calças brilhantes e camisas desabotoadas até o umbigo.

De Sole, 59 anos, alterou o negócio, mudando a distribuição para lojas da companhia e algumas lojas de departamento, como Saks Fifth Avenue e Neiman-Marcus.

Conversando com analistas e jornalistas em uma coletiva na terça-feira, Serge Weinberg, o chefe executivo da Pinault Printemps-Redoute, e De Sole se recusaram a dizer quais questões os separaram.

Particularmente, entretanto, um executivo familiar com as negociações disse que a companhia francesa insistiu em exercer poder de administração sobre a Gucci e suas subsidiárias, que incluem a Yves Saint Laurent, enquanto De Sole e Ford não quiseram abrir mão de sua independência.

“No final, a PPR comprou a companhia – essa é a realidade”, disse essa fonte. A Pinault Printemps-Redoute, situada em Paris, resgatou a Gucci em 1999 de uma tentativa de controle do grupo francês LVMH Moet Hennessy Louis Vuitton, e após uma batalha judicial comprou as ações do LVMH na Gucci, assumindo o poder da companhia em 2001.

Thomas Kamm, porta-voz da PPR, disse: “Não houve um único ponto que causou o fim das negociações”, acrescentando que o impasse se tornou aparente nos últimos dias.