Grupos minoritários protestam contra Dilma no Fórum Social

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Publicado quinta-feira, 26 de janeiro de 2012 as 22:36, por: cdb

Grupos minoritários protestam contra Dilma no Fórum SocialJovens vão para a frente do hotel em Dilma Rousseff hospedou-se para reclamar de violência no caso Pinheirinho, construção da usina de Belo Monte e aprovação de um novo Código Florestal. No ginásio em que participou de ato público do Fórum, grupo minoritário se manifestou contra presidenta pelos mesmos motivos.

André Barrocal

Porto Alegre – A presidenta Dilma Rousseff foi amplamente aplaudida em ato público no Fórum Social Temático, mas nem tudo foi favorável a ela na passagem pela capital gaúcha nesta quinta-feira (26). Um grupo de cerca de 15 jovens protestou em frente ao hotel em que Dilma estava hospedada. No ginásio em que o ato público aconteceu, uma parte minoritária da arquibancada, também manifestou-se de forma crítica contra Dilma.

Nas duas situações, eram três os motivos básicos da insatisfação contra a presidenta: o novo Código Florestal, o caso Pinheirinho e a construção da usina de Belo Monte.

No prédio ao lado do hotel da presidenta, foi aberta uma grande faixa vermelha com a inscrição “Dilma, desapropriação já do Pinheirinho”. Os estudantes em frente ao prédio erguiam faixas que diziam “Sempre haverá resistência, somos todos Pinheirinho” e “Todos contra Belo Belo Monte”, aos gritos de “somos todos Pinheirinho” e “menos polícia, mais educação”.

O estudante de Ciências Sociais Cassio Machado, gaúcho de 22 anos, era uma dos que seguravam a faixa sobre o caso Pinheirinho. Para ele, o episódio foi de uma violência que não se via há muito tempo e merecia uma resposta presidencial. “Ela deve fazer uma visita ao local e responsabilizar os culpados”, disse.

Para o estudante de Relações Internacionais e membro do coletivo Brigadas Populares, Guilherme Basto Lima, carioca de 27 anos, foi ao hotel protestar contra Dilma por solidariedade ao Pinheirinho. As Brigadas são uma entidade que luta por reforma urbana, e é para defender esta causa que ele foi ao Fórum Social.

“Estamos em choque com essa vista grossa do governo federal sobre o que aconteceu no Pinheirinho”, disse Basto Lima, para quem as autoridades paulistas quebraram o pacto federativo e mereciam que houvesse uma intervenção federal, com polícia federal e exército.

Para ele, tudo o que o governo federal fez até agora teria sido tentar capitalizar politicamente o assunto, com declarações de autoridades.

A historiadora e atriz de rua Núbia Quintana, gaúcha de 33 anos, foi ao hotel protestar contra Dilma por razões ambientais. “Meu manifesto maior é contra o Código Florestal dos ruralistas e essas hidrelétricas todas”, afirmou. Segundo ela, não há como não responsabilizar Dilma por estes assuntos, já que ela é a presidente da República. “Estou decepcionada. A esquerda não tem força para ser esquerda.”

Se no hotel os protestos eram mais individuais e sem, aparentemente, um grupo organizado por trás, no ginásio em que Dilma participou do ato público, foi diferente. A mobilização partiu de integrantes do PSOL, como dizia um dos cartazes para que Dilma lesse. “Dilma, devolve o terreno e as casas aos moradores. Somo todos Pinheirinho”, era uma das faixas, assinada por “Os + PSOL”.

Uma outra dizia “Código Anti-Florestal, vergonha nacional”. Carregando bexigas verdes, seus portadores gritavam para que Dilma vete o projeto que o Congresso preparasse para aprovar em definitivo.

Quando a presidenta foi anunciada para subir ao palco, por volta das 15h30, aquele setor da arquibancada vaiou, mas foi abafado pelo restante da platéia, que aplaudiu com entusiasmo. Durante o discurso da presidenta, o grupo também fez algumas manifestações, mas nada que interrompesse o discurso de Dilma, que saiu de lá com saldo positivo, apesar das reações pontuais contrárias.