Grupo do Rio não chega a consenso sobre documento final

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Publicado sexta-feira, 17 de agosto de 2001 as 17:04, por: cdb

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Lafer, afirmou nesta sexta-feira, durante entrevista, que os presidentes do países integrantes Grupo do Rio, reunidos na capital chilena, ainda não chegaram a um consenso sobre a proposta da Venezuela de se incluir no documento final do encontro uma cláusula sobre a democracia participativa como dimensão da democracia representativa. O tema provocou um debate na órbita das ciências políticas. Os 19 presidentes não conseguiram ainda definir qual seria o conceito exato de democracia participativa, ou seja, de um sistema político cuja representatividade estaria além dos partidos políticos e que poderia alcançar as organizações não-governamentais e significar o reforço de instrumentos como os referendos populares.

Segundo Lafer, não é o Brasil que está criando dificuldades na discussão desse tema. O ministro afirmou que, ao informar ao presidente Fernando Henrique Cardoso sobre a discussão do assunto, recebeu como resposta: “Você já disse para eles lerem o Bobbio?”. Fernando Henrique referia-se ao cientista político italiano Norberto Bobbio, autor, entre outros livros, de “O Futuro da Democracia”. Neste livro, ele defende a tese de que existe uma natural tendência da democracia de agregar, além dos partidos, outros fóruns de representação político-social com o mesmo grau de legitimidade.

Lafer afirmou também que o Brasil espera que as negociações entre o governo argentino e o Fundo Monetário Internacional (FMI) sejam concluídas o mais rapidamente possível. Segundo ele, o apoio dos 19 presidentes do Grupo do Rio, reunidos na capital chilena, às medidas econômicas tomadas pela Argentina deverão constar da declaração final do encontro, que termina amanhã.

Há possibilidade de que, nesse documento, os presidentes reiterem um pedido de ajuda financeira às economias mais ricas do mundo e aos organismos financeiros internacionais para a Argentina. Esse tema será retomado em uma reunião reservada, ainda hoje, da qual participarão apenas os 19 presidentes e seus chanceleres. Lafer afirmou que todos os países se mostram interessados em uma solução rápida para a crise da Argentina, “porque todos estão sendo muito afetados, não só as economias do Mercosul e do Chile.” O chanceler brasileiro citou como exemplo as recentes dificuldades de El Salvador para emitir bônus no Exterior, por causa dos efeitos da crise argentina.