Gritos e respostas

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Publicado quarta-feira, 31 de agosto de 2011 as 11:27, por: cdb

NaSemana da Pátria deste ano vai acontecer o 17º. Grito dos Excluídos. Pela suacontinuidade, e pelas repercussões que ainda suscita, o Grito se apresenta comouma das iniciativas bem sucedidas da CNBB, levada em frente pelas PastoraisSociais.

Foirealizado pela primeira vez em 1995, ano da Campanha da Fraternidade sobre osExcluídos.

Aíjá encontramos um dos motivos do acerto deste evento. Ao longo de todos os anos,ele sempre fez questão de retomar o tema da Campanha da Fraternidade, mostrandoseus desdobramentos em torno de situações concretas, que mais exigem nossaatenção. O Grito faz repercutir a Campanha da Fraternidade. Como, por exemplo, nesteano com a campanha sobre a vida no planeta, o Grito nos provoca lembrando que”pela vida grita a terra, por direitos todos nós!”.

Outrarazão que explica o sucesso do Grito foi o fato de vincular sua promoção ao Diada Pátria. Desde a primeira edição, em 1995, a intenção era recuperar para a cidadaniaa celebração do “Dia da Pátria”, com manifestações que envolvessem osmovimentos sociais, garantindo espaço para os que se sentiam, por um motivo ououtro, “excluídos” dos benefícios a que todos têm direito como cidadãos domesmo país.

Estaé outra circunstância que ajuda a desenhar o quadro de referências do Grito dosExcluídos. Ele nasceu como gesto concreto da Semana Social, que tinha por tema”O Brasil que nós queremos”.

Desdeo seu início, o Grito se colocou a serviço da cidadania, incentivando aparticipação popular em torno de grandes causas que o povo precisa assumir.

Comoa história da proclamação da nossa independência vem associada ao “Grito” deDom Pedro, o Grito dos Excluídos vem nos alertar que a soberania de nosso paísprecisa ser assumida sempre, de maneira consciente e articulada.

Poristo, em cada ano, não faltam causas, com a ênfase de gritos que apelam para osnossos compromissos de cidadãos.

Entretantas, podemos citar algumas, que estão sendo assumidas pelo Grito deste ano.

Umadelas é a corrupção. Ela merece nosso repúdio constante. Ela precisa sercombatida com firmeza e sem complacência. Este combate deve ser sustentado pelopoder público, mas precisa ser apoiado pela cidadania.

Outrogrito que precisa ecoar com mais clareza é contra a droga. Estamos chegando aolimite da tolerância. A nação corre perigo! A população, em especial ajuventude, não pode mais ficar exposta à ganância de inescrupulosos, quepermanecem impunes enquanto vidas inocentes são ceifadas em númerosassustadores. O combate contra a droga exige mais vigilância de nossasfronteiras territoriais. Mas exige também que nos demos conta que os caminhosda droga são abertos pela perda de valores morais, com o consequente abalo de nossasinstituições. Além de enérgica ação do poder público, o combate contra a drogaprecisa contar com a corajosa recuperação dos critérios éticos que precisampresidir a nossa convivência familiar e social.

OutroGrito, que já começa a ficar impaciente, é por uma eficaz reforma política. Elaprecisa desencadear um processo, que não pode prescindir da regulamentação dosinstrumentos de democracia direta, que a Constituição já prevê, mas que atéagora não foram regulamentados com clareza e segurança.

Outro tema de enorme responsabilidade secoloca agora em torno do novo Código Florestal, cuja votação está tramitando noCongresso. Em torno deste Código Florestal é necessário superar osradicalismos, para se chegar, com lucidez e equilíbrio, a compatibilizar os objetivosda proteção ao meio ambiente com os objetivos da agricultura. A discussão emtorno do Código Florestal precisa se transformar em bom instrumento deconsensos razoáveis, que levem em conta todas as dimensões implicadas nestecomplexo assunto, cheio de consequências práticas, que não podem ser ignoradas,ou atropeladas por bandeiras que escondem interesses ou carregam ingenuidades.

E assim o Grito pode ir levantando outrosassuntos, como os agrotóxicos, a reforma tributária, a reforma previdenciária,a questão da moradia urbana, as barragens, e outros mais. A cidadania agradece!