Greve geral na Venezuela entra na terceira semana

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Publicado terça-feira, 17 de dezembro de 2002 as 00:05, por: cdb

A greve geral na Venezuela, organizada pela oposição com o objetivo de forçar a renúncia do presidente Hugo Chávez, entrou em sua terceira semana nesta segunda-feira, sem qualquer sinal de que o impasse esteja próximo do fim.

Chávez, de seu lado, tenta recuperar o controle da indústria petrolífera do país – a quinta maior do mundo – no momento em que a escassez de produtos em várias cidades já obriga o governo a importar alimentos e combustíveis.

“Chávez irá embora primeiro quando Deus quiser, pois estou nas mãos de Cristo, o Senhor da Venezuela, Ele é o comandante”, afirmou o chefe de Governo em seu programa no rádio e na televisão, “Alo, Presidente!”.

“Quando Ele disser, eu obedeço, entendido?”, prosseguiu. “E segundo, o povo, e presumo que a voz do povo é a voz de Deus”.

“Eu não vou sair daqui por pressões de um grupo de gerentes, de um grupo de golpistas, de um grupo de fascistas, de um grupo de empresários, de um grupo de meios de comunicação”, concluiu.

Chávez advertiu que seu governo terá que importar gasolina e comida para fazer frente à escassez gerada pela chamada “greve cívica”, que ameaça paralisar por completo as atividades da estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA), a principal companhia do país.

O presidente anunciou que o país importaria gasolina das Ilhas Virgens, mas insistiu que há reservas para “vários dias”. Ao mesmo tempo, aviões da Força Armada já transportaram leite da Colômbia e alimentos da República Dominicana para a Venezula.

No domingo, cerca de 30 militares, junto com uma tripulação externa, assumiram o controle do petroleiro Pilín Leon, que estava ancorado no Lago de Maracaibo há uma semana, em solidariedade à greve.

O Pilín León carrega 44 milhões de litros de gasolina.

A ação militar foi motivo para novos protestos nesta segunda-feira. Manifestantes atravessaram carros e caminhões nas pistas para bloquear algumas das principais estradas e avenidas de Caracas.

O protesto, programado para terminar no começo da tarde, gerou engarrafamentos em vários pontos da capital.

A oposição convocou, também para esta segunda-feira, diversas concentrações em áreas comerciais e em praças de todas as cidades do país.