Greenpeace alerta para prejuízos que nova semente transgênica de soja resistente à seca poderá causar

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Publicado quinta-feira, 1 de março de 2012 as 14:51, por: cdb

A organizaçãoambiental internacional Greenpeace está fazendo um alerta para os prejuízos quea nova semente de soja transgênica, resistente à seca e a solos salitrosos irácausar aos bosques do Chaco argentino e a regiões como a Patagônia, que podemser ocupadas por plantações transgênicas. A pesquisa da Universidade Nacionaldo Litoral (UNL) e do Conselho Nacional de Investigações Científicas eTecnológicas (Conicet) recebeu elogios por parte da presidente CristinaKirchner.

Greenpeace teme quea expansão das plantações de transgênicos possa aumentar ainda mais odesmatamento, sofrido pela Argentina desde 1990, quando tiveram impulso asobras de infraestrutura e quando as sementes transgênicas começaram a serinseridas no país.

“Se não se adotauma política que proíba de forma total os desmontes, esta semente transgênicaimplicará no fim dos últimos bosques nativos chaquenhos, já que permitirárealizar agricultura nas zonas de bosque onde chove muito pouco e que possuemsolos salitrosos. Além disso, fomentará a sojização de novas regiões como aPatagônia”, alertou Hernán Giardini, coordenador da Campanha de Bosques doGreenpeace.

Apoiada em dados daSecretaria de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Nação, Greenpeaceafirma que entre 1998 e 2006 a superfície desmatada foi de 2.295.567 hectares,o que significa 280.000 hectares por ano ou um a cada dois minutos.

Além dodesmatamento, a crescente utilização de agrotóxicos como o glifosato preocupa aorganização. O uso de herbicidas pode causar nas pessoas problemasreprodutivos, neurológicos, defeitos de nascimento, câncer, além de outrosproblemas que podem ser contraídos por quem está exposto diretamente ao tóxico.As plantas também sofrem e podem ter afetada sua capacidade de se nutrir, alémdisso, as águas superficiais e subterrâneas podem ser contaminadas.

“Os resultados daexpansão da soja transgênica em nosso país estão à vista: a fronteira agrícolaavançou sobre os bosques nativos, aconteceu uma importante perda dadiversidade, milhares de famílias campesinas e indígenas foram desalojadas, seconcentrou a posse da terra e aumentou exponencialmente o uso de agroquímicosprovocando efeitos nocivos para a saúde humana e o meio ambiente”, apontou HernánGiardini.

Comercializaçãoe lucros

Um convênio firmadopela UNL e o Conicet com a empresa estadunidense Arcadia Biosciences e aargentina Bioceres, detentora da patente do gene HAHB-4, usado nos cultivospara enfrentar a seca sem diminuir a produtividade, vai permitir que a novasemente transgênica seja comercializada em breve e inserida não apenas nomercado argentino, mas em todo o mundo. A expectativa é de que em 2014 ou 2015o novo produto já esteja sendo comercializado.

Em ato realizado naterça-feira (28), em Tecnópolis, a presidente argentina Cristina Kirchner, pormeio de vídeo-conferência, destacou a descoberta como “um grande acontecimento”para a Argentina e falou sobre as importantes regalias que a venda da patentepoderia gerar. A mandatária acredita que os rendimentos serão de 75 milhões dedólares, somente pelo produzido no país. Com a comercialização para outrospaíses, os rendimentos para UNL e Conicet poderiam chegar a u$s 2.500 milhões aoano.

A patente da novasemente transgênica foi outorgada na Argentina, Índia, Estados Unidos, México eBrasil, principais nações produtoras de soja. O uso alimentício do produtotambém poderá ser aprovado na União Europeia e no Japão.