Graziano afirma em encontro da ONU que não há mágica no combate à fome

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Publicado terça-feira, 24 de junho de 2003 as 15:44, por: cdb

O ministro responsável pelo Programa Fome Zero, José Graziano, afirmou nesta terça-feira, em Roma, “que ainda não se descobriu a fórmula mágica para lutar contra a fome”, e reiterou que o Brasil é consciente de que os resultados positivos chegarão pouco a pouco.

– A fome não deve ser usada com fins políticos, mas como um assunto relacionado ao direito de todo ser humano a ter acesso a uma alimentação digna e saudável – disse o ministro da Segurança Alimentar.

Graziano, que participou de reuniões na sede da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), considera que o plano brasileiro, lançado há cinco meses, começa a dar seus primeiros resultados.

– Já temos resultados importantes no nordeste do país, que é uma região prioritária. Nós escolhemos mil cidades que no ano passado sofreram uma forte seca e onde durante oito meses ao ano não há água potável garantida – afirmou.

Para o ministro, “o mais difícil tem sido conjugar as expectativas criadas em torno do Programa Zero”.

– Muitas pessoas acreditam que se combate a fome com doações de dinheiro e com alimentos. Porém, a doação permanente cria dependência, um estado de fome permanente nas populações ajudadas. Nós queremos evitar isso de qualquer maneira – comentou, acrescentando que é preciso preparar as pessoas para que elas mesmas possam superar a condição de dependência.

Como exemplo, Graziano citou a experiência do Piauí, um dos estados mais pobres do país, onde não se produzia quase nada e agora é possível armazenar alimentos básicos para enfrentar a seca que ocorre nos meses de setembro e outubro.

– Não pode ser uma coisa de governo. Tem que ser uma conquista das pessoas e isto é muito difícil de explicar. Existe uma grande desconfiança de que o governo possa usar o programa com fins eleitorais – disse Graziano.

Lula, que provavelmente acompanhará em Roma a celebração do Dia Mundial da Alimentação, no dia 16 de outubro, recebeu o apoio de diversas associações italianas, tanto públicas como privadas.

Entre as entidades está a associação humanitária médica Emergency, muito ativa no Iraque e no Afeganistão, que participará da criação de um hospital no Piauí.