Grávida morre em confronto entre PM e traficantes no Rio

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Publicado sábado, 28 de dezembro de 2002 as 00:15, por: cdb

Grávida de oito meses, Vanessa Montenegro da Silva, 20, morreu hoje ao ser atingida nas costas por uma bala perdida durante um confronto entre policiais militares e traficantes da favela Nova Brasília (complexo do Alemão, zona norte do Rio).

Segundo a PM (Polícia Militar), uma equipe 16º BPM (Batalhão de Polícia Militar) descia a pé a rua Assembléia, um dos acessos à Nova Brasília, quando foram surpreendidos por cinco homens armados de fuzis, que atiraram contra os policiais.

O ataque ocorreu na localidade conhecida como largo do Boqueirão. Silva foi baleada quando atravessava a rua. Ela morreu no trajeto entre a favela e o Hospital Getúlio Vargas (zona norte).

O comandante do batalhão, coronel Ronaldo Menezes, afirmou que a moça foi atingida antes de os policiais revidarem.

“Pela trajetória da bala e o local onde ela estava ao ser atingida, acreditamos que o tiro partiu dos traficantes”, disse Menezes.

O coronel informou que os policiais tinham acabado de deixar o PPC (Posto de Policiamento Comunitário) da favela. Eles levavam à delegacia da área dois homens detidos como suspeitos.

Segundo o comandante, depois da troca de tiros, um revólver foi apreendido, mas não houve prisões. O coronel afirmou que o policiamento na favela foi intensificado para evitar que moradores fizessem protestos contra a morte da vizinha.

A delegada da 22ª DP (Delegacia de Polícia), Gisele Vilarinho, disse que “tudo leva a crer que os tiros tenham partido dos traficantes”.

A declaração foi baseada nos depoimentos de três moradores da Nova Brasília, entre eles os dois detidos pela PM, que testemunharam os fatos. Os nomes dos moradores não foi divulgado pela polícia. Os detidos foram liberados, pois não têm antecedentes criminais.

A delegada solicitou perícia do local. O corpo da vítima seguiu para o IML (Instituto Médico Legal). A delegada espera que a bala seja localizada no cadáver. “Só assim teremos certeza de que não foram os policiais, que vão ter suas armas apreendidas”, disse.

Outros casos

Mortes por bala perdida tornaram-se rotina no Rio. Em 22 de novembro, Glória Portabales, 48, e Verônica Rangel, 22, foram baleadas em um bar no Rocha (zona norte). Os tiros vieram de um confronto entre PMs e assaltantes.

Em 4 de dezembro, Aparecida Prado Saade, 68, foi baleada dentro de seu carro, em Copacabana (zona sul), quando PMs perseguiam assaltantes. O carro teve pelo menos 21 perfurações de bala. Até agora não se sabe se o tiro que a matou partiu de PMs, de seguranças do comércio ou de assaltantes.

No último dia 6, Jéssica de Jesus Teixeira, 8, foi baleada na cabeça, quando pulava corda no pátio da escola em que estudava em Maria da Graça (zona norte). A polícia não tem suspeitos para a morte da menina.