Gravadoras começam a utilizar redes de pirataria em vantagem própria

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Publicado terça-feira, 4 de novembro de 2003 as 02:06, por: cdb

Se não pode derrotá-los, junte-se a eles. Ao mesmo tempo em que gravadoras e estúdios de cinema continuam a brigar na Justiça contra os serviços de troca de arquivos na Internet, algumas empresas estão começando, sem alarde, a experimentar meios de utilizar redes de pirataria em vantagem própria.

A BigChampagne está rastreando músicas baixadas na Web a pedido da gigante do rádio Clear Channel. O Jun Group passou a disponibilizar deliberadamente músicas para pessoas que compartilham arquivos na Internet com o objetivo de chamar atenção.

O presidente do Jun Group, o ex-publicitário Mitchell Reichgut, diz que seu serviço proporciona às gravadoras meios de mudar o modelo que utilizam para vender música, igual há décadas.

– Basicamente as gravadoras têm uma opção. Elas podem combater a tendência e continuar a perder dinheiro, ou podem tentar modificar esse modelo que já existe há 100 anos e conseguir resultados imediatos para os artistas, consumidores e patrocinadores – afirma.

Recentemente o Jun Group fechou acordos com um compositor, uma empresa de refrigerantes e uma rede de TV – que normalmente teriam muito cuidado com seus produtos – para que soltem seu conteúdo nas redes de pirataria.

A BigChampagne, atuando a serviço das gravadoras, rastreia o que se passa em redes de troca de música como o Kazaa e o Morpheus. As gravadoras utilizam os dados obtidos para convencer as estações de rádio a tocar suas canções.

O rastreamento da atividade de download muitas vezes é capaz de prever que uma música será sucesso antes mesmo de ela ser tocada nas rádios com freqüência.

Se uma canção específica é baixada muitas vezes, a gravadora pode utilizar esse fato para convencer as rádios a tocá-la mais vezes.

– Trabalhamos com a maioria dos selos. Este é um setor que depende de informações imediatas quanto à reação dos consumidores – disse o executivo-chefe da BigChampagne, Eric Garland.

Jeremy Welt, diretor de novas mídias da Maverick Records, selo pertencente à Time Warner, disse:
 
– Estamos usando a rede como ferramenta.

– Faz parte de uma tendência maior das gravadoras de utilizarem dados reais para decidir seus planos de marketing, deixando de depender exclusivamente das listas de músicas mais tocadas nas rádios, que não são diretamente ligadas às informações sobre o consumidor – revelou.

Devido à briga do setor musical contra a pirataria, muitas gravadoras hesitam em confessar que estão em contato com o Jun Group ou que estejam usando os serviços da BigChampagne.

O argumento usado na Justiça pelo setor contra os serviços de troca de arquivos se baseia principalmente na alegação de essas redes não fazem outra coisa senão infringir direitos autorais.

O simples fato de as gravadoras utilizarem esses serviços para fins de pesquisa de mercado ou promoção de produtos enfraquece o argumento usado contra eles.

– Chama a atenção a disparidade entre a batalha travada pelas gravadoras e o fato de que elas compreendem que seu produto está se movimentando online, acompanhado do desejo de estarem à frente desse movimento – disse Eric Garland.

Enquanto a BigChampagne utiliza dados sobre o download de músicas para pesquisas de mercado, o método de promoção usado pelo Jun Group é mais direto.

O grupo distribui material aos ‘chefes’ dos serviços de download, que trocam arquivos no Internet Relay Chat e na Usenet.

– Esses usuários são os primeiros a acessar os conteúdos e distribui-los pelo resto da comunidade de internautas, gerando um zunzunzum. É por isso que o contato com eles é um veículo de marketing tão poderoso – contou Mitchell Reichgut.

Com isso, o conteúdo acaba chegando a centenas de milhões de pessoas através de redes como o Kazaa.

Reichgut disse que o Jun Group utilizou esse método para aumentar a audiência de um programa em uma rede de TV.

– O programa teve um enorme crescime