Grandes álbuns da MPB em nova versão no palco

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Publicado quinta-feira, 13 de janeiro de 2005 as 16:20, por: cdb

Quais os grandes álbuns da música brasileira? Para responder essa pergunta, o Sesc Pompéia convidou 12 dos principais críticos de música do eixo Rio-São Paulo. Cada um fez sua lista de dez títulos e o resultado do cruzamento de todas começa a aparecer amanhã (15), com o show da Orquestra Manguefônica, união de músicos da ‘Nação Zumbi’ e do ‘mundo livre s.a.’ Eles vão recriar na íntegra o álbum Da Lama ao Caos, de 1994, um dos seis mais votados (veja no quadro). Os demais serão apresentados a cada dois meses.

Com sua poderosa união de rock, hip-hop, maracatu e samba, Da Lama ao Caos será revisitado com o reforço de cavaquinho, mais guitarras, duas baterias e muita percussão. O encontro dos dois maiores nomes do mangue beat promete ser histórico. Era um desejo antigo de Chico Science, ex-líder da Nação, morto em acidente em 1997 aos 31 anos, e seus parceiros. Seu legado é de evidente importância no pop brasileiro, influenciando até hoje uma legião de jovens bandas.

O guitarrista Lúcio Maia, da Nação, diz que a revisitação do álbum feita pela Manguefônica tem surpresas e pouco se parece com o original, que a seu ver hoje era corajoso para a época.

– Nunca tocamos as músicas exatamente igual ao que gravamos – diz. O encontro das duas bandas é muito significativo uma vez que sempre fizeram intercâmbio criativo.

– A escolha desse disco deixa não só a gente, mas toda a cena de Recife e Pernambuco felizes. O mérito não é só nosso – diz Maia.

Da Lama ao Caos é o único álbum da década de 90 a figurar na votação final do Disco de Ouro. Dos anos 80 poucos foram citados entre os mais de 70 da lista dos críticos e nenhum recebeu mais do que um voto. A predominância, não por acaso, é de títulos dos anos 60 e 70. Parte dos críticos usou como critério apontar álbuns influentes de cada década, a partir dos anos 50. Antes do advento do LP não havia esse conceito de álbum as canções eram lançadas individualmente em discos de 78RPM com uma faixa de cada lado. Daí a ausência de ícones mais antigos.

É de estranhar a ausência de nomes imprescindíveis como Chico Buarque, João Gilberto e Paulinho da Viola entre os finalistas. Ocorre que eles produziram tantos discos bons que acabaram pulverizados na opinião dos críticos. João Gilberto teve seu Chega de Saudade, marco da bossa, superado pelo antecessor Canção do Amor Demais, de Elizeth Cardoso, do qual participou tocando violão.

Ou seja, a estética já estava presente. À parte a representatividade incontestável, Tropicália ou Panis et Circenses é uma escolha cômoda, uma vez que reúne nomes fortes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Mutantes, Gal Costa, Tom Zé e Nara Leão, que gravaram muitos outros grandes álbuns – e uma lista de dez é muito pouco para incluí-los todos, ao lado de outros de Chico, Paulinho, Edu Lobo, Tom Jobim…

Serviço:

“Disco de Ouro”. Sesc Pompéia/Teatro (358 lug.). R. Clélia, 93, Pompéia, 3871-7700. Sábado (15) e domingo (16), às 21h; dom., às 18h. De R$ 8 a R$ 20.