Grã-Bretanha teme que H5N1 resista ao Tamiflu

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Publicado segunda-feira, 20 de novembro de 2006 as 17:07, por: cdb

A Grã-Bretanha deveria estocar mais de um medicamento antiviral para se preparar para uma eventual pandemia de gripe aviária, além de indicar um especialista independente para assessorar o governo, disseram cientistas da Royal Society na segunda-feira. A academia, que reúne cientistas influentes, teme que o vírus H5N1, da gripe aviária, possa desenvolver resistência ao Tamiflu, antiviral fabricado pelo laboratório suíço Roche.

Para evitar esse problema, os cientistas recomendaram num relatório que o governo também estoque o antiviral Relenza, produzido pela GlaxoSmithKline. John Skehel, presidente do grupo de trabalho que elaborou o relatório, disse numa entrevista coletiva que, quando o Tamiflu foi usado contra a gripe comum, surgiram variantes resistentes do vírus, assim como num pequeno número de pacientes infectados com o H5N1.

– É sabido … que nem todos os vírus resistentes ao Tamiflu são também resistentes ao Relenza. Essa é a base específica para a recomendação de um estoque conjunto dos dois – disse ele.

A Grã-Bretanha tem armazenados cerca de 14,6 milhões de cursos de tratamento do Tamiflu, no valor de cerca de US$ 380 milhões. Embora a droga não possa evitar o surgimento da pandemia, cientistas acreditam que ela pode amenizar seus efeitos e até conter sua disseminação enquanto não se produz uma vacina específica. O vírus H5N1 ainda infecta principalmente pássaros. Foram registrados 258 casos em seres humanos, com 153 mortes. Especialistas temem que o vírus sofra mutações que lhe permitam passar de pessoa para pessoa, o que deflagraria uma pandemia capaz de matar milhões.

A Royal Society elogiou os planos de contingência da Grã-Bretanha para a pandemia, mas disse que o governo não está usando da melhor forma possível a assessoria científica na formulação de suas políticas.

– Queremos garantir que o conhecimento científico seja mantido atualizado – disse Skehel.

A Royal Society acredita que um especialista em influenza poderia contribuir na formulação das políticas, além de servir como modelo para a resposta da Grã-Bretanha a outras emergências futuras. O estudo também incentivou pesquisadores acadêmicos e laboratórios farmacêuticos a continuar trabalhando em cima da produção de vacinas, que serão a arma fundamental na batalha contra uma pandemia.